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MENSAGENS DE NOSSA SENHORA DE PIEDADE - JANEIRO A ABRIL DE 2016

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sexta-feira

MEMÓRIAS QUE NÃO SE APAGAM E POEMAS

"Não podemos voltar ao passado e reinventar um novo começo, mas podemos olhar o futuro e criar um novo fim."
Chico Xavier - 25/05/10




  BRASIL...UNIDOS VENCEREMOS ESTA  CRISE  SOCIAL, POLÍTICA, ECONÔMICA, ESTE LAMAÇAL  DE CORRUPÇÃO E VERGONHA QUE SE ABATEU SOBRE NOSSA TERRA!





 

 MANIFESTAÇÕES  NO  BRASIL

A JOVEM DEMOCRACIA CLAMA PELO BRASIL DA TRANSPARÊNCIA SEM  CORRUPÇÃO NAS DIVERSAS INSTITUIÇÕES E FAZ DIFERENTES REIVINDICAÇÕES EM TODO O PAÍS!

  13/03/2016   
                                                   








 NÃO HÁ GOLPE! 

https://youtu.be/ijW4w-qW1Uo
Discurso histórico do Jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores  do Pedido de Impeachment da Presidente Dilma, juntamente com a Dra. Janaína Paschoal.








NO FUNDO DO OCEANO ATLÂNTICO DE  ÁGUAS CRISTALINAS E TONALIDADE VERDE ESMERALDA , SE ESCONDE O VERDADEIRO SEGREDO DE FERNANDO DE NORONHA: O PARAÍSO DOS  MERGULHADORES!

FONTE:


REFERÊNCIA:

                                                                           





TECLADO CASSIO PPX  150 - SEQUÊNCIA DE 1 A 15


POEMAS


                                   
Solitude


Quando os pássaros
Não mais gorgearem nas gaiolas
E o silêncio de seu canto
Não lhe fizer mais sofrer,
Espere!...
Quando a lua no céu
Desaparecer para as núpcias
Cobrindo de carinhos seu amor
Com o firmamente
E você nem sentir mais a sua ausência,
Acalme-se!...
Quando estiver só
E sentir pulsar a plenitude
Da vida e do amor,
Na compensação pela natureza,
E nesta paz se sentir muito mais que feliz,
sorria!...
Quando doar toda sua afetividade e vida
Na busca de um bem comum e da família
Mesmo que esteja só ,
no alto de uma montanha,
Ou junto às águas tranqüilas
de um regato,
Reflita!..
É a liberdade que desponta,
A felicidade que ressurge,
Então todas as portas se abrirão,
Novos horizontes, novos ritmos
Novos projetos... enfim,
Você foi capaz de superar
a dor da solidão!

Márcia MSA 
11/07/93- 09/10
                                                   Dedicated to my visitors of all world.
 Thanks for visiting my blogs!
 ( THIS ONE AND:                       
http://receitasesegredosdacozinhamineira.blogspot.com.br  - )
RECEITAS E SEGREDOS DA COZINHA MINEIRA
                                

 Loneliness

When the birds
No more gorge in the cages
And the silence of his corner
Do not make you suffer more,
Wait! ...
when the moon in the sky
Disappear for the nuptials
Covering caresses her love
With the tightly
And you do not feel their absence,
Calm down! ...
When only
And feel the full throb
Of life and love,
In compensation for the nature,
And this peace will feel more than happy,
While! ...
When you donate your entire affection and life
In seeking a common good and the family
Even if you are alone,
on top of a mountain,
Or along the quiet waters
of a stream,
Think! ..
It is the freedom that emerges,
The happiness that comes back,
when all the doors will open
New horizons, new rythms
New projects ... finally
were you able to overcome
the pain of loneliness!


Márcia MSA



  Assim era meu pé de manacá...


Quase mágico, sensível, translúcido, 
humano, invisível e divino
ao mesmo tempo.
Plantei-o aqui,
onde seria protegido
pelas muralhas
do meu inconsciente.
Não foi apenas uma vez:
várias... acreditei,
cuidei... perdi!

Um dia plantei novamente, não apenas um, 
mas dois pés de manacá 
lá na varanda de cima, 
bem crente que aqueles, 
não morreriam... 
Não morreram...mas 
eu mesma os abandonei, 
quando os sonhos da juventude 
se foram... 
 ficaram apenas 
os trabalhos, a luta 
e aquele acontecimento 
que agitou 
todas as nossas vidas! 

Pensei, 
agora chegam ao fim
nossas forças e
meus pés de manacá!
nada mais me fez sonhar...vibrar,
ao ver a tristeza
no olhar de cada um!

Um silêncio, ao meu redor,
um vazio... Um grande vazio!
Todos lutando, se debatendo
para sobreviver ao infortúnio...
Minha única esperança:
Deus existe , venceremos, eu creio!
basta que o busquemos
com humildade e fé!

Neste mundo físico,
tudo é efêmero, tudo passa,
só não passa o amor...
Meus pés de manacá tão frágeis eram,
resistiram... fortes como tufões
e transcenderam...
mesmo que eu não os veja,
e que me esqueça deles,
estão em algum lugar protegidos,
ainda existem!
São hoje como substâncias, 
voláteis , etéreas,
têm ainda o seu brilho,
mas nada de excepcional
para a compreensão
e a lógica do mundo!

Ali ficaram muitos anos
naquela varanda até que
um dia os mudei
para um lugar próximo daqui, 
um pequeno paraíso, 
no Aconchego da Serra. 
Lá finalmente
 cresceram, 
floresceram,
mesmo só... 
 para sempre!

Hoje resistem ao sol da primavera
e do verão...e às formigas,
mas para minha dor
não me reconhecem mais,
nem eu...
Ah...já cuidei tão bem deles!

Solitários vivem
"como os lírios do campo",
do ar, da chuva, do sol,
do vento, da noite , do dia...assim...
não necessariamente nesta ordem,
mas na ordem
 das coisas sobrenaturais!

Parece que as horas passam depressa...
nunca mais ouvi os sinos
da Igreja do Carmo!
Antes repicavam tão lindos,
canções de Maria
ao meio dia!

Mudei-me novamente...
sempre mudando...
Há tanta coisa a fazer...
os treinos de sempre,
o trabalho, este blog
emails atrasados para ler
ou responder
pessoas que gostaria de ver
cumprimentar, encontrar...
Não estou dando conta
de tanta tecnologia! ... 
Ainda bem
 que tive um pé de manacá! 

Dois...
já estou na terceira idade, 
tudo bem!
Cada ano,
 conto mais uma abóbora...

Tenho ainda a religião e a fé,
Hoje há mais paz e confiança
no meu viver!

De meu pé de manacá
 tenho saudades!
Crescem as distâncias, 
mudam os objetivos,
Tenho ainda a religião e a fé!

Como diz o Zeca Pagodinho," a vida vai melhorar"!...
Só não dá para aceitar
desamor e indiferença!

E o mundo gira...
Até quando?!

Márcia MSA

Dedico este poema a todos que sofrendo buscam em Deus, o seu conforto, a sua paz!

Volte sempre! 


DESTINO

EM 2.048

Há de ter fantasias
e sonhar
e nos sonhos se entregar
às mais puras emoções!
Sentir-se plena
e abraçar fortemente
cada momento desta vida
que se vai,
com suas alegrias ou mágoas
para sempre!

Há de beijar
suavemente, nem que seja
uma única vez,
o orvalho que acaricia
uma pétala de flor
ou o pelo macio de
uma criação...
Há de sentir essa ternura!
Há de sentir na alma
o pulsar da vida,
mesmo quando já se perde
a energia e a graça
da juventude!
Há de se recordar
da leveza de se dar!

Há de sentir
toda a sensibilidade e paz
e alcançar os píncaros
da divina criação!

Há de sobrepujar,
o gelo da indiferença
e seguir em frente,
acreditando na vida,
no amanhã,
com fé e esperança!
Este é o seu destino,
Este é o seu querer,
Este é verdadeiramente
o ser divino que habita
nas entranhas de seu ser!


Márcia MSA 
21/11/93)

O DESPERTAR DO NATAL

Resultado de imagem para PRESEPIOS

26 de dezembro/93

Sala vazia... sem os sons harmoniosos das músicas de Natal. Treinei bastante este ano para recordá-las!
Contemplo cabisbaixa as imagens do presépio: os três reis colocados cuidadosamente fora do cesto, enfeitado com fitas entrelaçadas vermelho/verde.
Na inércia das imagens busco a dor do Natal...bem no fundo...no fundo, Natal me dá certa frustação! 
Fantasiamos muito...sonhamos alto demais...É mais que este simbolismo de sons e festas...Não alcançamos o seu significado! Não entendemos a codificação...falta sempre alguma coisa na representação!
Qual faca pontiaguda a cortar as fantasias...
Nas janelas daqui de casa adornadas pelos vitrais dourados, vejo:
As botas do Papai Noel, e o contraste verde dos nomes das crianças, ali bordados...crianças de ontem...refletindo os jovens irrequietos de hoje...
O lindo arranjo na mesa, com brilhos e bolas, não faz sentido agora!
Num canto, a árvore de natal: as lâmpadas pisca pisca não mais acendi! (enfim, meu coqueiro vai respirar, pois é nele a minha árvore de natal.
A chuva fina cessou... o seu ritmo já não acalenta meus sonhos.
No alto dos castiçais, velas vermelhas entrelaçadas de fios dourados ainda ostentam laços de fitas e morangos de pois...
Sem mais fantasias confesso: O sonho terminou, mais uma vez!

02 de janeiro/94

Fui ä missa das 18 horas na Igreja do Carmo. Frei Cláudio falou sobre simbolismos, simbolismos...ainda soa em minha mente “ ...tudo é símbolo , mas há algo real por dentro dos vitrais iluminados...”!
Vou ao presépio...fixo meu olhar mais uma vez dentro do cesto...quase sinto o palpitar das vidas!
No ar, o espírito maduro, sofrido do natal! Natal que insiste : “é preciso deixar-se atrair pela luz:... a solidariedade! 
Há violência em todos os sentidos: há fome, há doenças, há discriminações, principalmente no seio das famílias!
Recordo a noite de reveillon, passada na fazenda, no silêncio da paz: somente nós três e a família do caseiro: compreendi que não estávamos a sós, a nosso lado, o Cristo fez-se sentir presente...aconchego... solidariedade, estávamos alegres e felizes!
Ali, cercados pela escuridão da noite, sem a beleza dos fogos de artifício nem a T.V.ligada, oramos juntos pela paz no mundo, pelas famílias, por todos nós. Mesmo que não soubessem rezar o terço, com o espírito contrito nos acompanhavam. Senti que o verdadeiro espírito do natal estava ali e à simples ceia. Longe de nossos filhos e familiares percebi que família não são apenas os laços de sangue. Aqueles que trabalharam todo o ano para que houvesse em nossas terras prosperidade,aqueles que compartilharam conosco as tribulações, que viveram conosco a sofrida seca para o gado, batendo pasto, moendo cana, suando ao sol...
Se resfriaram com as últimas chuvas: fazem também, parte também de nossa família : A FAMÍLIA DO POVO DE DEUS!
Um coro de anjos entoaria: ALELUIA!
Toco agora bem baixinho no órgão, minha última canção de natal deste advento: o GLÓRIA Nasce agora, solidário comigo, o MENINO JESUS!
Pulsa em meu coração a esperança: Puxo a fé:
- Que venha 1994! Ano da copa...PRA FRENTE BRASIL!

DEDICO AO FREI CLÁUDIO VAN BALEN- IGREJA DO CARMO- BH. CUJAS REFLEXÕES TANTO ME AJUDAM NA BUSCA DA LUZ.

Márcia MSA
 02/01/94




SUBLIMAÇÃO


Ouço o ruído
Da vida na rua,
Sinto o latejo 
da vida na agulha
Num flash de luz
 Eu me retrato...

Sinuosa no tecido ela desliza
Me desnuda o pranto
Em desvario me entrego!
Bordo a flor com o amor
Da dor e do sonho
Da fantasia desfeita!

(Márcia MSA. - 30/04/91)



  NO MEU JARDIM


 

Fui assim...

poeta, sonhadora, 
para outros,
desajeitada,  impulsiva!
Gostava de ouvir
o farfalhar do vento
nas folhas do quintal.
O piar dos pássaros
na amoreira ou
no pé de jacarandá...
ouvir as andorinhas, o sabiá,
tudo em perfeito cantarolar!

Estirada na grama,

até queimava meu corpo ao sol...

Perdida em devaneios,

em recordações  mescladas,
ao vento, perdidas nas brumas,
e na linha do tempo:

Sobre o pé de amora,

a juriti,
 no limoeiro um bem-ti-vi,
no meu jardim a bouganville lilás,
uma rede que balança,
na varanda...
sem fim!




Ali, tudo parecia lilás, arroxeado,

no plano horizontal do meu viver,
até a flor de maracujá se confundia ali,
com o azul meio lilás das hortências,
das orquídeas de bambu,
ou dos pés de manacá!

Ainda haverá flores

 multicores em meu jardim?

 Márcia MSA
18/04/93


“Eu pensei que bastava ser homem...”
       (Gilberto Gil- 07/07/02)
... mas é necessário transcender!



FANTASIA


Despedi de todos
Amigos e apegos
Parti
Para meu deserto interior.
Escalei montanhas
Avistei milhões de grãos de areia
Que se tornaram dunas,
Pirâmides no meu ser.

Descobri,
Tenho a força, estou livre
De toda crença, de todos mitos!
Caminhei
Senti ainda só
Tive miragens fantásticas
E vi que tudo é ilusão!
Senti sede do saber
Quando a noite chegou
E a escuridão penetrou em mim!
Abri a mochila
Fui tateando...
Senti uma lanterna
Busquei a luz
Em todo bem que aprendi,
Renasci! Era um novo dia!
Era Natal!
Um feliz Natal!


Márcia MSA       
25/12/86


TECLADO CASSIO P PX 150 - SEQ 31 A 45
                                           
PRAIA DO MORRO
                                              (Guarapari - Espírito Santo - Brasil)











Praia do Morro
Que te amo tanto
velem tuas encostas
os sonhos teus
na espuma que embalas
arpejos murmurantes,
proteje com carinho
os dias meus!

De longe,
surge tênua
a brisa refrescante,
de Nova Guarapari
suave mirante!

Lua, 
Eis que surges
detrás dos montes,
e no céu vagueias
Como a rainha
da nascente aurora!
Ilumina,
até ao "Porto do sol"
o caminheiro errante,
transforma em alegria
seu triste semblante!

Guarapari...
sua ponte singular,
Contemplo  do oceano!
Com tristeza
já despede o coração,
cheio de saudades!

Em tuas ondas
busco num mergulho
a eterna sinfonia:
PAZ...
 SAÚDE...
    HARMONIA!

Márcia MSA
1993



SONHO POR SONHO

À LUIZ FELIPE ESCOLARI
E GALVÃO BUENO P/EMOÇÕES INESQUECÍVEIS DO PENTA 


Na avenida sem asfalto

Nem sinalizações

Dirigia obstinado

Para lugar nenhum,

Ora,

Debatendo a poeira do passado

- Desacreditado –

ora,

na contramão

de procrastinadas emoções!



Num tempo

De balas perdidas e

Poderes paralelos

Meio a um temporal

Despontava um futuro promissor,

Nas cores brilhantes

De um arco-íris de cristal:

No trabalho – confiança!

Na família – superação!



Porém,

Escondido o “ comandante”

De consciência perspicaz e sentinela

Repassava sentimentos e mágoas,

Tal qual um mata-borrão

Deletando estados mentais

Contraditórios,

E garantindo assim a vitoriosa conquista

Do recôncavo de uma janela!



Já não palpitava mais

Hipertenso o coração,

Na pressão e descompressão

Das forças antagônicas

Da primeira copa do milênio!



Enquanto se erguiam

Pedras sobre pedras

Dos novos arranha-céus,

Se compactuavam sob ele

Num verdadeiro asfalto

Com luzes de néon iluminadas

As cinzas do passado!



Surge o estádio

Uma verdadeira arena

De frenéticos torcedores!

Me transformo e vibro

Frente à TV com milhões

De técnicos amadores e felizes!


Numa dimensão maior


Desligando a ignição

Busca o pódium,

C’ a bandeira

Verde e amarela

Desfraldada

Esvoaçando sobre os braços

Do “ fenômeno” ,

Vislumbra a taça erguida

Sobre o sorriso maravilhoso

E inesquecível de Cafu!



Junto àquela comoção

E à massa,

Num enorme círculo

Ajoelhado

Agradece à Deus

Nos verdes campos do oriente,

A vibração da torcida amarela e tupiniquim,

O sorriso e a fé de cada criança,

A determinação e a confiança,

Da disciplinada e humilde

Seleção brasileira!



Enquanto u’a chuva de prata

De papéis repicados

Brilha nos ares,

Palavras inflamadas de júbilo

Cortam os céus de norte a sul

Num grande show

De comunicação global!

E do oriente

Como num cometa conectadas

Ao cruzeiro do sul,

Cintilam as 12 estrelas vitoriosas

De almas lavadas!



Finalmente,

Com o eco do brado

De Cafu,

Coração bate,

Que bate...

Que bate...

E grito:

O BRASIL É PENTAAAAAAAAAAAAA!

EU SOU PENTAAAAAAAAAAAAAAA!


Márcia MSA
12/07/2002

RALPH ERA SEU NOME



 Um dia...

Descansando sonolenta,  refletia.
Subitamente  ele chegou
Dentro de uma caixa, assustado,
Retraído me olhou...
Era um filhotinho...
Orelhas bem grandes, fofinhas
Cachinhos de ouro
Um cocker puro sangue!

Não! Cachorro não!
Lembrei-me do Rex, do Tico
Da gata siamesa,
Seus gatinhos no terraço...
Mil pulgas!
Lembrei-me da terapeuta:
Porque não?!...
-Em apartamento...Não!
Lembrei-me do Brasinha
Sonho de adolescente...
Aceitei...relutante, distanciei...
Sentia-me meio carrasca
Na tentativa de infrigir a pena
Ao direito de criar, cuidar
De quem ousou o desafio!
E a alergia? Pelos soltos... o ranço;
E os vizinhos... o pai... e  Eu?
E as viagens...
Com quem deixá-lo?

Minha filha...
Eu a via se desdobrando a cada dia:
De adolescente despreocupada
Numa mãe carinhosa:
O veterinário, a ração, as vacinas,
Até um pulover azulão,
Para ele não sentir frio.
E para ele sentir seu cheirinho,
Sua camiseta já suada!

Germinou nela o amor,
Cresceu em mim a dor
Do desamor!

RALPH ERA SEU NOME!

Dormia lá fora...
Da porta para fora...
Um vento friio...
E ela não reclamou
Cobriu de jornais,
De trapos, molambos de voil,
De cetim, sei lá..
De amores!

Passou um dia
Três...
Uma semana,
Ele já a conhecia dentre todos,/corria feliz se a via... se o via...
Encolhia a seus pés, silencioso
-nunca latia!

No início só chorava
E seu choro
Se confundia com o cio
Das gatas da rua.
Não mais incomodou,
Latia...
Também já sofria!

Respiração difícil, peito inchado
Também,  não comia...
Refletia todo nosso desespero!
Morria!
Em suave e pausado gemido
Pulsava a dor: han...han...han...
Era o fim!

Qual  pecadora,
Madalena arrependida
Apanhei o manto e o envolvi,
Embalei
Amei-o....

Ralfinho...
Não era mais um cão,
Mas filho, neto, amigo meu!
Seus olhos brilhavam de dor,
Injeções, remédios de gente mesmo;
Anemia? Rarical
Edema pulmonar?
Pen-ve-oral,
Lasix...
Que mal maior sofre o ser?
Dor, agonia, paixão?
Desilusão?
Impossibilidade de ser,
Crescer,
Viver?

Foi difícil a última noite!
Ralf me olhou desesperado
Coloquei-o no colo, envolto
Em  jornais,
E ali,
Corações partidos, chocados,
Desesperados...

Acariciei-o com uma mão
E para tornar eterno
Aquele momento,
Toquei no órgão
“Berceuse’, Tristesse
“Eu voltarei”...
(um ensaio meu)...
ritmo marcado...
Ralf gemia...

Sua última noite...
Despedida!
No outro dia,
Bem cedinho o visitei,
Levantou com dificuldade,
Ficou de pé!
Com dignidade de cachorro,
Desfaleceu... morreu!
Quase morri de saudades!

Hoje ,
Meu coração ainda chora.
Ralph foi uma chama de amor,
Luz  que se apagou,
Esperança que nasceu,
Vida que partiu!

Ralph, se ontem foi adubo,
Flor será,
Se hoje é flor,
Um coração perfumará!
Vida....amor!
  
Ralph é amor
saudade eterna...
Sem fim!

Márcia MSA
13/05/91  
  
  Sei ... 

                                      
                                                   KILDER E ENZO

                             LETÍCIA                                                            

 Sei que posso
Criar, mudar e construir
Tudo que desejo
E que a felicidade
E fruto de minhas ações!
Sei que cada um é mais feliz
Quando consegue expressar
Livremente seus próprios sentimentos
Removendo obstáculos e desafios
Fazendo as coisas por si mesmos!

Sei que não é preciso
Provar aos outros
Nem a mim
O quanto sou capaz:
Posso realizar
Todas as equilibrações da natureza!
Sei que posso
Explorar,
               Compreender situações problemas,
                                                                    Agir,
                                                                          Operacionalizar,
                                                              Sublimar,
                                             Transcender,
                                                                VIVER!                                                             
                 
Márcia MSA
 22/10/88



 CAIXINHA DE EMOÇÕES


Não abra a caixa
onde guardo meus sentimentos
minhas saudades adormecidas.
Você poderia encontrar
a pureza de uma criança
todas suas fantasias
nos desenhos
do jardim da infância,
nos trabalhinhos amarelados,
ou a explosão das cores surgidas
de um balde de tintas!

Não abra ainda!
Não poderia resistir
a  explosão das emoções!
Amanhã, talvez,
voltarei ao passado
reviverei a ternura
de cada um
antes de passar
pelas mutações
e ressurgir da dor!

Serei muito forte
quando abrir minha caixinha
de emoções...
verei que não há mais motivos
para sofrer ou chorar
e inspirando hei de descobrir enfim:
a verdade dói...mas liberta!



Márcia MSA -
 21/03/92

  

MEMÓRIAS QUE O VENTO NÃO LEVOU:

                            COPA DO MUNDO  2014 - BRASIL 


  Orquestra Philarmônica de São Paulo 
 Hino Nacional  Brasileiro
  
                                             SALVEM O BRASIL!



FORA OS CORRUPTOS!
 ELES SIM NOS ENVERGONHAM,


NÃO O FATO DE TERMOS PERDIDO UMA COPA DO MUNDO! ISTO SÓ NOS ENSINA A SERMOS VERDADEIROS ESPORTISTAS!

                              

Perdemos um jogo de futebol, não perdemos a honra, a dignidade nem a vida! O Brasil não se torna pior ou melhor, só porque perdemos a Copa. No primeiro momento ficamos frustrados, tristes, mas o respeito de nossos adversários, os alemães, nos deu forças para levantar, sacudir a poeira e dar volta por cima.

Longe das críticas, o que importa é a auto crítica , a lição que aprendemos com a derrota. Todos os campeões, um dia já foram derrotados e souberam se erguer das cinzas. Este é o grande legado do esporte.

Queremos aproveitar ainda o tempo precioso que nos resta neste Mundial, que foi maravilhoso em todo sentido! O grande troféu desta Copa do Mundo é a vitória das relações humanas e da fraternidade! Enfim, a vitória da PAZ!

Quanto ao campeonato, estaremos bem classificados no 4º ou 3º lugar. Não faz muita diferença, para quem já venceu todas as adversidades desta Copa do Mundo! Se título conta, já somos penta campeões, está bem assim (por enquanto)!

O que faz a diferença agora é todo um povo que se entregou, lutou, sofreu e rezou para que esta COPA se realizasse em paz e tranquilidade, para nós e todos os nossos visitantes. E isto foi um fato consumado, graças a Deus!

O que faz a diferença é que pela primeira vez na vida, fomos conhecidos e admirados por todos os visitantes do planeta, e tivemos a oportunidade de recebê-los com muito carinho! Foi um sonho realizado!

Temos sentimentos, somos apaixonados e a Seleção Brasileira somente demonstrou com sua sensibilidade, a verdadeira alma do brasileiro!

#tevecopa - Não acreditávamos que isto seria possível com tantas reviravoltas antes do Mundial!

O que importa realmente é a dignidade de cada um de nós que lutamos para que esta COPA fosse realizada em paz! Missão cumprida!

Que isto seja um marco para que os dirigentes da CBF e toda a sociedade brasileira reavaliem o nosso esporte, de modo geral e mudem as diretrizes, que se tornaram obsoletas! Fabricar  jogadores para comercializar talentos, que não se torne um fim em si mesmo, nunca mais,  mas que nossos atletas sejam formados desde as categorias de base, num verdadeiro incentivo ao  esporte brasileiro,  em geral e respeito ao futebol que tanto nos orgulhamos sempre! 
Brasil, siga o exemplo da Alemanha, aposte novamente no que você sempre teve de melhor - o futebol, como eles apostaram, acreditaram em transformar suas equipes de base desde 2002, revolucionaram o seu futebol e agora estão colhendo  os louros neste mundial no Brasil.

Torço muito para que a Alemanha seja a campeã da Copa.
(E realmente o foi, merecidamente!)

Para mim o placar de 7 x 1, no jogo contra a Alemanha, ou o placar de 3 x 0, contra a Holanda,  foi apenas uma ducha de água fria, um alerta para que o Brasil acorde e mude a sua forma  de encarar o futebol e volte às suas origens, enquanto é tempo!



BRASIL X HOLANDA
13 DE JULHO 2014


HOLANDA   3   X   0   BRASIL

Parabenizo a Holanda pela grande seleção!

Gostaria que estivesse na final com a Alemanha,

mas,  sempre haverá um amanhã !


BRASIL, 

 OBRIGADA PELA COPA ,

TE RESPEITAMOS E ORGULHAMOS PELA LUTA,

POR ACREDITAR QUE SERIA POSSÍVEL A VITÓRIA!

MAS, DESTA VEZ, A NOSSA GRANDE VITÓRIA FOI RECEBER

EM NOSSO PAÍS, OS VISITANTES DE TODO O MUNDO!

DESTA VEZ, A TAÇA DO MUNDO SERÁ DE UM DE NOSSOS

HERMANOS, A ARGENTINA  OU A ALEMANHA! 

DESEJAMOS QUE FAÇAM UMA GRANDE FESTA E

LEVEM COM VOCÊS ESTA IMENSA ALEGRIA!

ESPERAMOS QUE TENHAM GOSTADO DA

COPA DO MUNDO NO BRASIL - 2014!

SEJAM SEMPRE BENVINDOS!

ALÔ VIDEOSFERA


MÁRCIA MSA.
13 DE JULHO 2014


O Gesto de Solidariedade de David Luiz com James

Rodrigues da Colômbia


A imagem das quartas de final, nosso guerreiro David Luiz sendo solidário com o sofrimento pela derrota do goleador e craque da Copa, James Rodriguez. Mostra que é apenas futebol e temos que valorizar o esporte e a integração dos povos acima de tudo!


              

    Venha querido, não se misture a essa gentalha!

    


PERDEMOS A COPA

(Não era para ser nossa!
Doeu muito!)


Aqui,

EM BELO HORIZONTE...

O DESAFIO FOI LANÇADO:

QUEM MUITAS COPAS

 VENCEU, 


 TERÁ QUE ADMINISTRAR

ESTA  DERROTA!

JÁ GANHAMOS

 A COPA,

QUANDO FOMOS CAPAZES

DE SUPERAR

 TODAS AS  ADVERSIDADES 

E TORNAR POSSÍVEL 

A SUA REALIZAÇÃO,

NA PAZ,  NA FRATERNIDADE,

COM ALEGRIA

ENTRE OS POVOS!


PARABÉNS, BRASIL!

ESTA FOI A SUA GRANDE VITÓRIA;

SUPERAR O PERÍODO DE VIOLÊNCIA

QUE TOMOU CONTA DE NOSSO PAÍS, 

APESAR DAS REIVINDICAÇÕES DAS MANIFESTAÇÕES , 

PROCEDEREM!


PARA NÓS

ESTA É A COPA DAS COPAS!

AQUELA QUE VIBRAMOS,

SORRIMOS E CHORAMOS,

COMPARTILHAMOS COM O MUNDO

EM NOSSA TERRA NATAL!

UMA COPA INESQUECÍVEL!

BRASIL! 

DESFRALDE A SUA BANDEIRA!

NOS ORGULHAMOS DE NOSSA PÁTRIA!


Márcia MSA
Julho / 2014




Para tradução:
-Esta pessoa aqui acha que era melhor
ter ido ver o filme do Pelé!



Não enfartem...
Lembrem-se: 
Não temos hospitais,
Temos estádios.



VENCEU A MELHOR EQUIPE DE FUTEBOL, SIMPÁTICA, SOLIDÁRIA,


 MAIS COMPETENTE, MAIS TÉCNICA, MAIS TÁTICA - A MELHOR DO MUNDO!


PARABÉNS À TODA SELEÇÃO ALEMÃ NESTE  DIA MEMORÁVEL!


OBRIGADA POR COMPARTILHAREM ESTA COPA MARAVILHOSA!


AMAMOS A ALEMANHA NESTA COPA DO MUNDO NO BRASIL!


 


World Cup 2010





OS AMIGOS INSEPARÁVEIS DA COPA:

ALEMÃES E ÍNDIOS PATAXÓS - BAHIA-BR

UM CASO DE AMOR!



   
MOMENTO INESQUECÍVEL DA COPA DO MUNDO NO BRASIL:
OUVIR O HINO NACIONAL ANTES DO JOGO.

Grave: Higor Américo - Médio: Leda Luane - Agudo: Rômulo Santos
                                 ************************************************



AMIGOS, 

Desculpem, estou reeditando estas memórias, por isto a estética não está boa ainda, e estou fazendo uma revisão na sequênciação, etc. breve concluirei este trabalho.   Obrigada!

             Memórias que não se apagam



Mamãe nos amou , como milhares de mães que se entregam e se esvaziam , para que seus filhos lutem e vençam!
Nós nos alimentamos de sua vida , como de um favo de mel!

12/03/1981
Márcia MSA




Agradecimentos e dedicatória





Dedico estas memórias à meus pais, que sempre nos ampararam, educaram para a vida e muito nos amaram, incondicionalmente! Dedico estas memórias especialmente a eles.



Pai,



O importante não foi o pouco tempo que o conheci ( 8 anos), mas a educação e qualidade de vida que lutou para que sua família conquistasse. Ainda mais o admiro por ser também um herói nacional, por sua participação na 2ª Guerra Mundial, e por suportar o fardo de toda a discriminação social pela doença que trouxe de lá.



Mãe,



Você nos amou , como milhares de mães que se entregam e se esvaziam , para que seus filhos lutem e vençam! Nós nos alimentamos de sua vida , como de um favo de mel .



Dedico estas memórias a todos os que convivendo comigo as tornaram possíveis, especialmente meus familiares, irmãos, sobrinhos!



Hoje agradeço à todos os meus amigos e familiares, especialmente, meu esposo, Araújo, meus filhos, K. Danielle e K. Giovanni, minha nora, Izabela e Nathy, querida neta, por toda a vida que juntas construímos num aprendizado constante e abençoado por Deus.





Meus agradecimentos especiais à K. Danielle, que pacientemente fez a digitação do texto, em meio a tantos trabalhos e estudos!                                                         
          
                    I PARTE

Uma mulher pequena chega à rodoviária de uma cidade do interior : Patos de Minas. Uma mala grande, cor café , já descascada e desbotada pelo tempo.
Atrás , ficam os destinos . Os momentos de aflição e desgosto . A árdua luta pela sobrevivência , as dívidas , um leilão dos bens , a aflição de uma emboscada , um tiroteio no bar , as lágrimas e o desejo de recomeçar tudo novamente na grande cidade de Belo Horizonte .
Com os olhos inchados pelo choro das despedidas, à sua frente somente a insegurança do futuro.
Cinco crianças , menores de sete anos , a acompanham. Um homem sério, semblante  de quem não voltará atrás jamais , procura pelos lados, a plataforma de Belo Horizonte.
Novas esperanças nascem naqueles corações sofridos.
As outras filhas do primeiro casamento, Lola e Vanda tiveram que ficar morando com os familiares por causa dos estudos: a mais velha com a tia , e a outra com a avó.
Lágrimas rolam dos olhos de Albertina, que teve que se separar das filhas para acompanhar o marido.
São muitas horas de viagem . Ainda não há asfalto entre as duas cidades. Há muita poeira nas estradas.
A noite cai , vagarosamente . As crianças vão , algumas no banco da frente e as duas mais novas nos colos dos pais :
-Mamãe , quero fazer xixi !
-Espere Márcia , ainda não é ponto de parada .
Já  é tarde . Algumas crianças começam a chorar.
-O que é isso aí , menino?
-É a Márcia ! É a Márcia!
A confusão é geral naquele cantinho do ônibus. Não aguentei esperar para ir ao banheiro!
Albertina tenta fazer tudo caladinha , enquanto o pai fica estressado com a meninada .O sono foi chegando aos poucos em cada um. De vez em quando uma criança acordava.
O sol nascia quando Albertina avistou Betim , último ponto de parada, quase em Belo Horizonte.
-Quinze minutos de café ! - gritou o motorista. Outra correria para levar os cinco para fazer xixi . Um café derramado e novamente a bronca do pai.
Um trem de ferro passou por ali .Os meninos ficaram embasbacados, pois nunca tinham visto uma Maria Fumaça : tic-tac...tic-tac...tic-tac...a fumaça subindo para o azul do céu ... eles ali, sonhando estar dentro do trenzinho.
Chegando a Belo Horizonte , o barulho do trenzinho era nada mais que uma saudade. Algo que passara e pertencia agora ao passado.
Isto não foi um sonho : Eu realmente o vivi!
Descemos na velha rodoviária , ao lado do mercado da Mauá , como desço  agora rumo ao jardim das rosas , quadra nove, no Parque da Colina...
Lá , o sol nascia Aqui, cai a tarde e uma chuvinha fina de verão.

                    II PARTE

          NOSSA VIDA EM BEAGÁ (BELO HORIZONTE)

Naquele dia fomos a pé até ao ponto do ônibus do horto , de onde partimos para o novo lar , atrás do campo do "sete de setembro".
A casa cheirava a pintura nova. Tinha três quartos, cozinha , um modesto banheiro e a mobília estava ali, desmontada.
Naquele dia, dormimos ainda sobre um colchão estendido no chão.
Mamãe fez um almoço bem simples num fogão de querosene de duas bocas. Estava tão gostoso quanto o sabor da nova aventura.
Nos dias e meses que se seguiram fomos nos ambientando àquele bairro. Havia muita novidade , muitas crianças na rua .
Lembro-me de que bem pertinho dali havia uma chácara de japoneses , onde nasciam tomates gigantes , mas ninguém entrava lá, porque havia cachorro  bravo, que corria atrás da gente.
Subindo a rua à esquerda havia um pé de urucum que nós usávamos para pintar as bochechinhas , e um outro, de pau doce.
Um centro espírita na casa do vizinho era o inferno para nós. Éramos católicos e mamãe dizia que lá acendiam uma vela para Deus e outra para o diabo.
Quando havia jogo no campo do sete  escalávamos o muro e íamos assistir ao jogo. Aliás, íamos mesmo era ver o povão.
Outra vez era para ver os empregados molharem a grama com aqueles  esguichos interessantes...
No meio de nossos folguedos, mamãe era uma  mulher triste. Chorava muito, rezava e , quando recebia cartas de Patos, chorava o dia inteiro.
Meu pai ficava bravo , dizendo que aquilo era bobagem e que as meninas estavam bem lá, com a família.
Tivemos que nos mudar. O aluguel era muito alto e papai não estava trabalhando.
Fomos morar no bairro São Geraldo, perto da igreja, ao lado da casa da D. Zinha.
Alí comece a compreender muita coisa . Já estava com uns seis anos.
Papai era doente. Precisava ficar internado e não agüentava aquele tipo de tratamento , por isso fugia.
Mamãe costurava dia e noite , mas quando ele estava em casa era quase impossível, por causa do seu gênio difícil e exigente.
Nós?...Éramos muito levados!
Brincávamos e brigávamos o tempo todo! O recurso foi colocar a turminha no catecismo do Padre José para ver se consertava.
Quando meu pai estava em casa , o regime era quase militar.




Sabem , eu fiquei vários dias numa valeta escondido e tive que tomar água dali . Junto , estava um soldado morto , já deteriorando. (dizem que deve ser por isso que ele contraiu aquela doença da pele ...).

MEU PAI - ARISTIDES M. DOS STOS
 DURANTE A II GUERRA MUNDIAL
NO VATICANO - ITÁLIA
1º à sua esquerda


 MINHA MÃE - ALBERTINA DOS STOS CASTRO
4O ANOS

Quando fomos  para o grupo, papai treinava- nos com uma sineta, como atender ao sino da escola e da merenda. se desobedecêssemos à professora, o outro contava] para ele , então havia conversa em casa, mais tarde . Por isto éramos tão bonzinhos na escola! Se íamos bem na escola, a recompensa: ir ao matinê no domingo, no cine ao lado da Igreja de São Geraldo. Até hoje eu "amo" a 7ª arte: o cinema!
Um dia, chegamos à casa e vimos papai doente. Estava com muita febre . Mamãe colocava angu quente em seu abdômem.  Fomos até a casa do vizinho buscar boldo para fazer chá.
Passaram - se muitos dias! A febre não passava. Mamãe chorava muito . Meu pai não levantou mais da cama . Estava tão esquisito , amarelo , amarelo. A barriga crescera muito. Mamãe ficava várias horas ao lado dele. Dava-lhe banho, tentava fazê-lo comer. Era um entra e sai dos vizinhos e cada um falava que tal remédio é que era bom.
Foi então que aconteceu: uma correria à noite, barulho, choro, não sei o que mais...
Quando amanheceu, lá estava ele na sala, coberto com um lençol branco.
- Márcia , hoje vocês não vão à aula. O papai foi para o céu, disse mamãe chorando . (Era o dia quinze de julho de 1956 ).



-Você e João vão dizer na escola que o papai morreu.
Ficamos assustados , mas não houve choro . Gostei da idéia de contar a novidade para a professora.
No caminho  , contamos para todo mundo : - Meu pai morreu! Meu pai morreu !
Quando voltamos, fomos de casa em casa, pedindo flores para colocar no caixão, coberto de roxo.
À saída para o enterro , o desespero de mamãe , depois cada um colocando uma colher de terra na sepultura , no antigo Cemitério da Saudade...  a volta lenta no vazio do silêncio ... são imagens inesquecíveis em minha memória.
-Mamãe , a Márcia não gostava do papai, não ! Ela não chora !
-Gostava sim, Lena , ela está triste também!
-Mas há três dias que papai morreu e ela não chorou ainda! -disse a Lena.
Naquele momento, explodi : - Eu gosto dele sim! Eu quero meu pai ! Papai... papai... - Gritava chorando.
Vieram tempos difíceis. Muito sofrimento mesmo para a mamãe. Ela tinha que sair e , para não nos deixar sozinhos na rua , nos trancava dentro de casa. Andava a tarde toda para conseguir arrumar os papéis da pensão de viúva de ex- combatente  .  Errava o caminho de volta para casa, pois não sabia andar na cidade ( meu pai não a deixava andar sozinha) e chegou a parar na rua Guaicurus, que todo mineiro curioso conhece, antiga zona boêmia de Belo Horizonte.
Outra vez , um vizinho ficava com pena dela e então nos levava para brincar em sua casa.
Havia sempre duas amigas que a ajudava muito : Domingas e a Cema. Também um amigo de Cema ajudou bastante a cavar a pensão : o Dr. Jairo.
Ah sim... Houve muita luta. As costuras aumentaram para sustentar a família . Até tarde , lá estava ela trabalhando . Felizmente, no grupo, não dávamos trabalho e gostávamos de aprender a ler, escrever nos caderninhos Companheiro que ganhávamos da Caixa Escolar.
A professora D. Marlene nos elogiava muito , o que nos tornava ainda mais aplicados, os novos colegiais.
Os alimentos estavam escassos. Estava muito perigoso para mamãe sair de casa deixando-nos a sós.
Veio então o dia da separação. Mamãe precisava internar-nos. O processo da pensão caiu em exercício findo e a reforma de meu pai demorava.
Um dia, veio uma Kombi , mamãe entrou conosco e o Sr. Joaquim, um amigo de mamãe e do pai,  nos levou para um orfanato em Mário Campos.
Mas não ficaram todos lá. Não havia vaga para a caçula. 
Estávamos gostando de ser internados , devido à preparação que mamãe fizera para não nos entristecermos no dia "D".
No caminho admirávamos as arvores que andavam , do lado de fora , a linda paisagem, o gados nos campos verdinhos.
À noite, as estrelas no céu, as três Marias , a estrela Dalva nos seguindo , eram misteriosos encantos para nós.
Chegando lá , a despedida. Fomos levados para jantar. Mas, que decepção ! Não tinha feijão!
-Quero feijão ! Quero feijão! - eu gritava- . Não sei se queria feijão ou se queria mamãe ou meu pai. No meu coração o sentimento era um só: desamparo.
Todos choravam comigo!
Fico pensando no sofrimento da mamãe , voltando para casa sem os quatro filhos. As filhas mais velhas ainda moravam no interior e dariam tudo para estarem juntas dela , naqueles momentos difíceis.
Decidida  e de vontade férrea mamãe sempre fora. Mostrando-se ao mesmo tempo frágil e pequenina, quando renunciava a própria felicidade para o bem dos filhos. Vê-los estudando era seu sonho supremo.
Sim,  o estudo ! Aquilo que lhe fora negado pelo pai , pois , moça que estudava e a prendia a ler, era para escrever carta para o namorado! Assim diziam os antigos!
Foram quatro anos de internato.
O que ali acontecia não era mais nem menos do que ainda acontece nos internatos de hoje. Havia adoções de crianças mais bonitinhas , a gente tentava agradar às chefes com doces que ganhávamos para que elas ficassem boazinhas para nós, mas o meu sonho mesmo acho, era fugir dali ou ser adotada para me ver livre daquele internato.
Meu irmão mais velho e o meu irmão gêmeo, ficaram no  pavilhão dos meninos . Raramente nos víamos.
-Olha lá o meu irmão ! É aquele barrigudinho, com aquela vassoura ! - eu dizia quando o via entre os outros varrendo do lado de fora do nosso pavilhão ,ou quando ele estava  perto da lagoa , capinando.
Recebíamos visitas de alguns parentes, mas mamãe era um visita certa.
Nós, meninas, ficamos separadas também . Lena foi para a turma das pequenas, eu , para a turma média e a caçulinha, Mary,  só foi internada quando houve vaga.
Jamais vi peças teatrais aqui fora tão bem ensaiadas como aquelas de lá. Haviam lindos cenários , vestes de cetim, faziam-nos papelotes  e usavam todos os recursos necessários. As peças teatrais inesquecíveis que apresentaram ali, foram:  Os Morangos Silvestres,  A Ação Católica , que contava a luta entre o bem e o mal, a vida de São Tarcísio ,  tinham como diretora a Irmã Leônia;  Minervina era quem nos ensaiava, no maior estilo, e , o sucesso era garantido nas festas da quermesse.
Havia coroações  , lindas procissões e missas do galo , com o coral afinadíssimo!
De noite, nos dormitórios, ouvíamos longas estórias da Tia Anastácia , do tipo Carochinhamula sem cabeça e saci-pererê .
Éramos, sim , até felizes ali, quando nos esquecíamos que vivíamos isoladas da família e da sociedade!
A irmã Leônia gostava muito de mim, colocava-me no coral, tinha também a tarefa de  molhar o seu jardim particular. Aos 11 anos, começou a ensinar-me órgão, bordado, datilografia e princípios básicos de costura. Aprendi órgão por um ano com a irmã Leônia e sempre me recordo da sua anti- pedagogia ( puxões de orelhas, a rigidez , os castigos no quarto escuro se preciso fosse), se tivesse qualquer atitude, fora dos padrões permitidos no internato, ou seja, com vestígios de liberdade ou de iniciativa própria, éramos castigados!
Vencido o prazo de quatro anos no internato,  no governo de JK , quando da inauguração de Brasília, novos tempos surgiram para todos.
Mamãe que continuava morando em Belo Horizonte, costurava muito ainda, e quando ia nos visitar, ficava algumas horas em sua cozinha , fazendo docinhos, pirulitos, pastéis e bolos para levar para nós. Levantava-se cedinho, lá pelas quatro horas , ou menos , atravessava o matadouro do Horto , estando ainda escuro, para ir à estação . Nessa época, ela morava no bairro Boa Vista.
Eram três a quatro horas de viagem até o internato, o que fazemos hoje em uma hora e meia até o nosso sítio , bem depois de Mário Campos.
Passávamos juntos todo o dia. Ela sempre nos dando esperanças de que estava perto o dia de sairmos dali , e nós, contando - lhe tudo o que acontecia no internato.
Pessoalmente , eu gostava mais da Irmã Vitória do que da irmã Leônia , pois a primeira ensinara - me uma coisa que eu sempre quisera aprender: a ler e escrever . Ela era a professora boazinha.
Depois de muita luta, novenas a Santa Rita , um dia saiu a reforma de meu pai : daí foi mais fácil sair a pensão.
Mamãe entrou no plano das primeiras casas populares construídas no governo de JK, no bairro Pedro II. Ele mesmo veio inaugurar as casas. Foi um grande acontecimento para a cidade.
Com o dinheiro das costuras, mamãe pagava as primeiras prestações, até o dia em que, graças a Deus, saiu a pensão do papai. Foi mesmo uma benção de Deus.
O João foi o primeiro que a mamãe tirou do internato , e ele foi fazer o   o quarto ano  no Grupo Padre Eustáquio.
Agora chegara a minha vez de sair dali. Se tínhamos momentos bons também havíamos colecionado uma boa carga de complexos e recalques, dos quais temos nos esquivado a cada momento de nossas vidas.
Terminei o terceiro ano e preparei - me decidida  e alegremente para a minha saída : uma malinha , dois cortes de chita, uma revista Sesinho, calcinhas, escova de dente, sabonete, acho que era só esta bagagem ( materialmente , é claro).
Mas que decepção! Todos sabiam que eu iria embora, menos a mamãe :
- A senhora prometeu que quando eu tirasse o terceiro ano ia me levar! - dizia insegura, com medo de ficar - Eu não fico mais aqui!
Fui penalizada . A irmã Leônia disse que eu mentira, mas juro que fizera tudo sem pensar em passar a perna nelas. Depois de alguns telefonemas conseguiram permissão para a minha saída. Consegui ! Venci!
11 anos e meio, malinha na mão , volto ao lar, rumo à vida, com uma boa carga de experiências vividas.
Os outros : Lena, Márcio e Mary , saíram no outro ano, com o mesmo objetivo : estudar.
Estudar sempre significou grandes despesas para os assalariados. Por isto, tentamos toda espécie de concursos para bolsas de estudos : procurávamos ser os melhores da sala, pelo menos eu, para fazer jus às bolsas de estudo conseguidas.
João acabou entrando para o colégio militar , em regime de internato , e de lá foi direto para a AMAN , em Resende , estado do Rio de Janeiro. Hoje é  major  do exército, trabalha em Porto Alegre .
Márcio, meu irmão gêmeo.  era um artista em lanternagem, sempre muito criativo e gostava de pegar passarinhos e gatos, mas estudar nunca foi o seu forte! Era muito tranquilo, de todos, foi o que mais sofreu, na minha opinião: tinha dificuldades de aprendizagem e a vida não foi muito boa para ele. Lena estudou e trabalhou, formando -se em psicologia. A caçulinha, Mary, formou-se em Farmácia, mudando-se para o Rio , prosseguindo ali seus estudos. Vanda sempre uma artista, prendada e habilidosa, sempre nos encantando com seus trabalhos e decorações, costuras, crochê e culinária!  A mais velha, Lola, fez curso de decoração em Montes Claros e se dedica à família e à pintura .
Todos estudamos até onde nos foi possível, porém o que aprendemos sempre foi motivo de muito orgulho para nós.
Dos tempos difíceis , não gostamos nem de nos lembrar!
Mamãe, sempre um anjo, a impedir que recordássemos demais o passado . Recordar é sofrer duas vezes - dizia - o que passou, morreu!

 
















Na verdade , eu nunca gostei de falar sobre os tempos do internato. Ainda hoje evito dizer o nome do internato como se fosse algo censurado em nossas vidas! dizer o nome do internato era confessar a razão porque fomos para lá. desde os tempos de Cristo, há 2 mil anos, qualquer pessoa que sofresse alguma doença como meu pai sofrera era rejeitado. E eu não posso deixar de colocar nestas memórias, o quanto meu pai, que contraíu hanseníase na guerra, foi rejeitado, discriminado pela sua própria família. Esta foi a razão que mamãe muito sofreu: a falta de fraternidade e solidariedade dos familiares de meu pai. Passou, graças a Deus!
Agora, quero fazer uma homenagem aos cantores de minha infância que plantaram em mim a semente musical, o amor ao idioma espanhol e nos deram muitas, muitas alegrias: Joselito e Marisol.
                         III PARTE
Resumo:

Na segunda parte, contei para vocês como foi a nossa saída de Patos, a viagem e a chegada em Beagá (B.H). A morte de meu pai e a nossa ida para o internato rural, em Mário Campos.
Chegamos lá à noitinha, e fomos direto para a copa para comer alguma coisa. Teve o episódio do feijão (como boa mineira, nunca gostei de comer sem feijão...aí foi aquele choreiro..). e eu puxando o coro, aos berros!...
Gente, chorei tanto quando era criança, que hoje é muito difícil eu chorar?! Como disse um dia minha prima Vanda: chorar pra quê? As lágrimas secam... e de tanto chorar não comovem mais!  Concordei!
Mas quando isto acontece, gosto de deixá-las rolar e secar os olhos com as mãos, fungar o nariz, o scambal...no melhor drama, que é a minha categoria cinematográfica favorita!

A vida no internato


Fico pensando no sofrimento de mamãe , voltando para casa sem os quatro filhos. As meninas, Lola e Vanda ainda moravam no interior e dariam tudo para estarem juntas dela , naqueles momentos difíceis!
Decidida e de vontade férrea mamãe sempre fora. Mostrando-se ao mesmo tempo frágil e pequenina, quando renunciava a própria felicidade para o bem dos filhos. Ver-nos todos estudando, os sete, para ela valia qualquer sacrifício. Era este seu desejo supremo como também de meu pai.
Antigamente, moça que estudava e aprendia a ler, era para escrever cartas para namorados!.. Santa ignorância! Minha mãe caíu nesta malha!

Foram quatro anos de internato.
O que ali acontecia não era mais nem menos do que ainda acontece nos internatos de hoje. Havia adoções de crianças mais bonitinhas , a gente tentava agradar às chefes com doces que ganhávamos para que elas ficassem boazinhas para nós. Eu até queria também ser adotada! Pode?!
Logo que chegamos lá, João e Márcio foram para o pavilhão dos meninos . Algumas vezes os via:
-Olha lá o meu irmão ! É aquele barrigudinho, com aquela vassoura ! Eu dizia quando  via o Márcio,  entre os outros varrendo do lado de fora do nosso pavilhão, capinando perto da lagoa, ou em alguma alameda próxima às janelas de nosso local de trabalho.(É, criança trabalhava naquele tempo...a gente bordava para as irmãs vender e angariar verbas para o orçamento do internato). Eu não acho isto errado, não! Naquele tempo não havia estas centenas de crianças sem rumo pelas ruas, sem estudo, sem nenhuma perspectiva de vida. Aprendemos cedo a ter responsabilidades! Hoje fico pensando que o futuro da educação, é a escola com horário integral, com atividades extras de cultura, lazer e esporte, para todos! Não da forma que ainda é hoje. E também para a classe média. A educação da juventude hoje está totalmente sem limites, não há respeito, filhos gritando com pais, sem horários para chegar em casa...uma lástima! 
 Preocupo-me muito com isto!

Voltando ao internato, recebíamos visitas de alguns parentes e das meninas, Lola e Vanda, e mamãe era um visita constante! Não demorava muito e lá estava ela, sempre presente, levando carinho, amor, esperança e também aqueles docinhos e pirulitos que ela sempre fizera. Ainda hoje, toda vez que eu vejo pirulito com formato de "chupeta de neném" eu me lembro dos nossos. Tinha um no formato de galinho que eu gostava muito. Quem herdou aquela forma de pirulitos foi a Lena. Bem que ela podia aprender a fazer para nós... faz-se um melado com limão, coloca dentro da forma, enforma direitinho e põe o palito. Depois é só disformar. É fácil! Tem que  ter cuidados com o melado...pode-se queimar!
Lá no internato, não só os meninos, mas as meninas, ficavam também separadas. Lena foi para a turma das pequenas, eu , para a turma média. Mary, só foi internada quando houve vaga, um ano depois, mais ou menos.
O tempo foi passando. Nós nos adaptamos muito bem ao internato. Havia muitos eventos e todas as festas folclóricas eram comemoradas com peças teatrais, dancinhas, coral e muita fantasia. Aquela vida foi fazendo parte de nossa história e aprendí a gostar de lá.
De noite, nos dormitórios, ouvíamos longas estórias da Tia Anastácia , do tipo Carochinha, mula sem cabeça e saci-pererê, lobisomen, bruxas, fadas e princesas!


 Ainda não se falava na princesa Pocarontas. Eu adorava a história de Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve, A Bela Adormecida e A Bela e a Fera e os filmes, Marcelino, Pão e Vinho, A Vida de Maria Goretti, A Vida de São Tarcísio e a clássica comédia, O Gordo e o Magro e mais tarde um pouco, surgiram os filmes de JOSELITO, cantor infantil, mexicano, com sua voz de ouro e também "MARISOL",  a linda cantora mirim, antora mirim, cujo  site está aqui no blog, desde que o iniciei, em 2008.Veja  em meus blogs e sites favoritos. (que eu sigo). Os filmes eram repetidos muitas vezes e eu curtia demais!



Este vídeo está em italiano, mas tem a cena mais comovente e encantadora  da minha infância:
                      
quando Marcelino, levando pão e vinho para cuidar de Jesus, ergue a mãozinha e se estabelece a reciprocidade.

Jamais vi peças teatrais aqui fora tão bem ensaiadas como aquelas do internato. Haviam lindos cenários , vestes de cetim, faziam-nos papelotes e usavam todos os recursos necessários na época para as apresentações.

Peças teatrais que gostei muito, foram Os Morangos Silvestres, A Ação Católica , que contava a luta entre o bem e o mal, a vida de São Tarcísio , que tinham como diretora a tão temida Irmã Leônia. Minervina era quem nos ensaiava, no maior e melhor estilo, e , o sucesso era sempre garantido nas festas da quermesse.
Haviam no mês de maio lindas coroações , procissões na festa de Corpus Cristi, maravilhosas, com aqueles tapetes coloridos de serragem e missas do galo, no dia de natal.
A irmã Leonia gostava muito de mim, colocava-me no coral, me escalava para molhar o seu jardim particular ou a sua horta. Aos 11 anos, começou a me ensinar órgão, bordado,o ponto de cruz, crivo, naqueles "giraus" de espichar o tecido para se bordar o ponto cheio e crivo. Várias meninas bordavam ao mesmo tempo. A gente bordava e conversava, conversava, até a Irmã chegar e cortar o nosso barato! Aí, a gente ficava bem quietinha e caladinha!
Aprendí também datilografia e princípios de costura. Acho que foi o princípio de tudo que faço hoje, ou já fiz, até surgir o computador, há 20 anos na empresa onde trabalhava.
Aprendi órgão por um ano com a irmã Leonia. Mas ( que peninha) sempre me recordo da sua falta de pedagogia e stress (se errava a lição, na aula de música, ganhava puxões de orelha! Eu odiava aquilo, mas odiava! Era violência de graça, mas gostava e gosto até hoje, muito, mas muito mesmo de música! (E não consigo passar do segundo ano de  estudos musicais cada vez que reinicío...kkk). Definitivamente eu não gosto de teoria musical! Gosto de tocar no teclado "de ouvido", o pouco que aprendí, mas que me faz bem, me relaxa... Prá mim tá bom!
Mas o piano, ah o piano!..É outra história, preciso aprender de verdade.. estou conseguindo passar de 3 anos, porque pretendo tocar música clássica na eternidade, lá naquela ilha, com um "toldo" branco sobre a orquestra, e tendo o pessoal sentado em frente, num gramado, ouvindo... Desde que ví o filme, NOSSO LAR, baseado no livro de Chico Xavier,  estou apaixonada por aquela música.Sempre gostei dela, mas não sabia o nome direito: está aqui nesta postagem: Moonlight de Beethoven,  da qual já coloquei o vídeo  aqui no blog: e ainda está aqui na página inicial. Sempre peço à professora de piano para tocá-la para mim no fim da aula.  Vou postar aqui de novo,  o vídeo com esta música ma-ra-vi-lho-sa! Sem noção! Mais de um milhão de internautas já viram este vídeo.



Moon Light - Beethoven

Então...éramos, sim, felizes ali, aprendendo a fazer de tudo e até recebendo uma boa educação e cultura, formação religiosa que levo para o resto da vida! Esta formação, não tem preço: veio com ela, a busca da verdadeira espiritualidade cristã.

Quanto à família de meu pai, sinceramente? Como sentir falta deles? Nunca aparecíam! Apenas ouvia  histórias de orgulho e falta de apoio à mamãe, quando mais precisou! Era revoltante!. É bem assim: a gente sente saudade de quem compartilha conosco as alegrias e tristezas desta vida! sentimos falta de quem nos trata com carinho e amor!
 Nas minhas memórias da infância, da família de meu pai, somente a família de Tia Celinha deixou lembranças.
Dos outros, eu ouví falar...
Vencido o prazo de quatro a cinco anos no governo de JK( Juscelino Kubstchek), acompanhamos a construção de Brasília.
Juscelino vinha muito a Beagá, e, as freiras nos levavam para "recebê-lo e participar das inaugurações de casas populares.
Quando da inauguração de Brasília, novos tempos surgiram para todos.
Mamãe costurava muito ainda, e quando ia nos visitar, ficava algumas horas em sua cozinha , fazendo docinhos, pastéis e bolos. Levantava-se cedinho, lá pelas quatro horas , ou menos , atravessava o matadouro do Horto , estando ainda escuro, para ir à estação . Nessa época, já morávamos no bairro Boa Vista.
Eram três a quatro horas de viagem , o que fazemos hoje em uma hora e meia até o nosso sítio , bem depois de Mário Campos.
Passávamos juntos todo o dia. Ela sempre nos dando esperanças de que estava perto o dia de sairmos dali , e nós, contando - lhe tudo o que acontecia no internato.
Pessoalmente , eu gostava mais da irmã Vitória do que da irmã Leonia , pois a primeira ensinara - me uma coisa que eu sempre quisera aprender: a ler e escrever . Ela era a professora "boazinha", que toda criança quer ter!
Depois de muita luta, novenas a Santa Rita , um dia saiu a reforma de meu pai : daí foi mais fácil sair mais tarde a pensão.
Mamãe que havia entrado no plano das primeiras casas populares construídas no governo do Presidente JK, no bairro Carlos Prates (BH), havia finalmente conseguido a sua primeira casa própria em BH, depois de tanto sofrimento. O Presidente mesmo veio inaugurar as casas. Foi um grande acontecimento para a cidade. Tenho uma grande gratidão por "JK." Político carismático" como ele, conta-se nos dedos!
Daqui para a frente, com o dinheiro das costuras mamãe pagaria as primeiras prestações da casa, bem suaves mesmo!
Um dia, graças a Deus, saiu a pensão do pai. Foi mesmo uma benção de Deus!
Finalmente, mamãe poderia nos reunir novamente: seus sete filhos...Futuro, que nos aguarde!
Engraçado, vou confessar uma coisa: quando eu era criança, eu olhava para o céu e pensava que lá havia uma estrela, que piscava para mim como a estrela dos reis magos apontando para Belém: era a minha estrela.... coisas de criança!

(Esta música deve ter uns 48 anos...)

IV PARTE

Resumo:

Na terceira parte relatei a vida no internato, em Mário Campos, MG, a nossa apresentação à sétima arte, através dos filmes infantis e peças teatrais inesquecíveis, os novos tempos da construção de Brasília, a tão sonhada capital federal, inaugurada por JK, único presidente que cuidou realmente da habitação neste país, construíndo as conhecidas casas populares nos anos cinquenta, inauguradas nos primórdios dos anos sessenta, em Beagá, tornando possível que muitas famílias pudessem assim também reconstruir suas vidas ou dar o passo fundamental para um novo tempo. A JK ( Juscelino K.), faço também esta homenagem singela e a minha admiração pelo grande estadista que foi! ( Conta-se nos dedos!)

A saída do internato

João foi o primeiro que a mamãe tirou do internato , indo fazer o quarto ano no Grupo Escolar Padre Eustáquio.
Agora chegara a minha vez de sair dali. Se tínhamos momentos bons também havíamos colecionado uma boa carga de experiências, boas ou não, que cada um poderia trabalhar ao longo da vida, como motivação para o seu crescimento pessoal, ou simplesmente deixá-las acompanhar-nos como sombras, para sempre. Eu pessoalmente, optei por buscar o futuro nos estudos, para que pudesse realizar os meus sonhos e assim o sonho de meus pais.
Terminei o terceiro ano e preparei - me decidida e alegremente para a minha saída : uma malinha , dois cortes de chita, uma revista Sesinho, escovinha de dente, sabonete, acho que era só esta a bagagem. ( materialmente, era tudo que possuía e levaria do internato.
Mas que decepção! Todos sabiam que eu iria embora, menos a mamãe :
- A senhora prometeu que quando eu tirasse o terceiro ano ia me levar! - dizia insegura, com medo de ficar - Eu não fico mais aqui!
Fui penalizada . A irmã Leonia disse que eu mentira, mas juro que fizera tudo sem pensar em passar a perna nelas. Seguí as palavras de mamãe: ..."quando terminasse o terceiro ano, ela viria para me tirar dalí. Assim faria com os outros irmãos. Por isto era a minha vez de sair dali!
Eu chorava...chorava, pois a decepção fora muito grande!
Depois de alguns telefonemas para Beagá, as irmãs conseguiram permissão para a minha saída.
Consegui ! Venci! Onze anos e meio, malinha na mão , volta ao lar, rumo à vida, como num conto de fadas!
Os outros, Lena, Márcio e Mary , saíram no ano seguinte, com o mesmo objetivo : prosseguir os estudos, pois lá só havia a escola primária.
Estudar sempre significou grandes despesas para os assalariados. Por isto, tentamos toda espécie de concursos para bolsas de estudos : procurávamos ser os melhores da sala, pelo menos eu, para fazer jus às bolsas conseguidas.
João acabou entrando para o colégio militar , em regime de internato, novamente , e de lá foi direto para a Academia Militar , em Resende , estado do Rio de Janeiro.
Graças a Deus, à luta de mamãe e o apoio de minhas irmãs mais velhas, Lola e Vanda, conseguimos completar nossos estudos, trabalhar, e dedicar-nos às famílias que formamos.
O tempo passou como uma tempestade de areia no deserto, descobrindo oásis maravilhosos, expondo paisagens e sonhos possíveis e realizáveis...ou como um tufão: encobrindo com montes de areia, nossas dores e sofrimentos, nossas fantasias mais secretas, enterradas para sempre!
Mamãe, sempre foi um anjo, a impedir que recordássemos demais do passado . Recordar é sofrer duas vezes - dizia - o que passou, morreu! Quase nunca falava do passado! Era um assunto muito, muito pessoal!


A adolescência foi um grande período de enriquecimento social, cultural e psicológico, onde preparamos também uma boa bagagem de experiências para a vida.

Os anos sessenta - Anos Dourados

                            
                                   MEU ÍDOLO, ELVES PRESLEY

Os anos dourados começaram no final dos anos cinquenta, portanto eu era ainda criança e passando pelo período de internato. Mas na sequência, os anos dourados, sim, vivemos plenamente, com todo o fulgor, desde o movimento socio-cultural hippie , 

  
à era dos meus ídolos, principalmente,  Elvis Presley.


Beatles, Sarita Montiel, a minha cantora mirim preferida, a espanhola "Marisol", a Jovem Guarda, até as lembranças da ditadura militar e a explosão cultural da tropicália e as maravilhas da sétima arte. Conhecíamos a maioria dos artistas, assistíamos filmes todos os finais de semana, às vezes, nos sábados e domingos e participávamos das alegres horas dançantes com as músicas nacionais da jovem guarda, como todos conhecem e os tangos, boleros e cha-cha-cha e os rítmos que amávamos dançar "coladinhos"...Faço aqui a minha homenagem ao nosso Rei, Roberto Carlos, que naquela época já era o meu "Rei" e ao eterno conjunto The Beatles que garantiu à minha juventude muita alegria e "som".
A denominação “Anos Dourados” provém do grande crescimento econômico e industrial que aconteceu naquela época.
Nos anos dourados, o mundo começa a passar por um período de crescimento tecnológico, ainda devagar, mas já era o início da revolução tecnológica que vemos hoje, e que, na qual estamos inseridos até a alma!!
O crescimento da economia em diversos países fez com que nossos hábitos de consumo fossem mudados, com a chegada dos eletrodomésticos ao Brasil, como o rádio de pilha, a geladeira, máquinas de lavar roupa, máquinas fotográficas, telefone, fogão a gás, a televisão já estava encantando o mundo! 

O mundo da moda cresceu e destacou celebridades na alta costura que se tornaram eternas, como Coco Chanel.

                                                                  A MODA VAI E VEM...
 




Podíamos nos vislumbrar com o crescimento econômico dos Estados Unidos e países da Europa.
A corrida armamentista acelerava o poder das ditaduras governamentais e o poder caía aos poucos nas mãos dos maiores capitalistas e detentores das novas tecnologias. Os países mais envolvidos na Segunda Guerra Mundial, também foram os que mais se destacaram pela capacidade de recuperação econômica (20 anos depois da guerra), nos anos dourados e pelo desenvolvimento tecnológico.
Este desenvolvimento acelerado dos anos dourados, levou ao extremo também o problema da fome no países com menor desenvolvimento, devido ao grande índice de natalidade, chamados de países do "terceiro mundo".
Vou parar por aqui, mas sem antes deixar a minha música favorita e inesquecível dos anos dourados: Só podia ser do meu amigo, Roberto Carlos! A jovem guarda foi e será sempre o tesouro da música popular brasileira!


                                                     V  PARTE
 



Resumo 


Olá amigos!
Demorei para terminar estas memórias. 
Confesso que para mim, é  muito difícil!
Adiei, adiei...cada dia era um problema: um dia estava com dor aqui, outro, ali. Outro dia, estava muito ansiosa e para escrever, gosto de estar muito, mas muito tranquila.
Até que hoje, não deu para eu sair porque estava chovendo muito (graças a Deus), e só me restava vir para a VIDEOSFERA. Ao entrar aqui, me deparei com meus links favoritos, na side bar. Então tá! Vou começar e terminar de escrever estas  memórias. Resisto em falar do passado até hoje!
Foram momentos gravados com lágrimas e lembranças que levo por toda a vida. Todos, algum dia, já passaram por perdas irreparáveis. Entes queridos que fizeram parte de sua infância, adolescência e vida adulta, que se foram de repente...pessoas que marcaram nossa vida, personalidade e caráter. Tudo isto representava par mim, minha mãe: era tudo além de mãe, pai, professora, orientadora, que não se preocupava em ensinar-nos teorias, mas conhecer a vida através dos sentimentos, emoções e  experiências vividas. Além disto, aprendi com ela o que é o amor incondicional.  Esta é uma aprendizagem que não se esquece, por toda a vida.

              

Mamãe, após vinte anos de viuvez , já apresentava na face todo o seu viver. O amor para ela há muito não significava uma relação a dois, pois aprendera a viver só, dedicando-se totalmente à família, e nós alimentávamos de seu amor,  de seus cuidados, como de um favo de mel. Aos poucos, a casa foi ficando vazia novamente. Cada um partia em busca de seus sonhos. Daquela casinha da Rua Piracicaba, próxima à Avenida Pedro II, mamãe também desejou partir .Suas idas aos médicos eram constantes e morar no centro da cidade seria uma boa solução. Foi um adeus à vizinhança de 22 anos, numa despedida quase sem palavras. Uma até logo , um longo abraço nos amigos mais chegados e a mudança. Mamãe fora sempre assim: realista. Aceitava tudo com a maior naturalidade , como se aquilo fizesse parte da rotina. Agora, morando no centro, estava mais fácil fazer seus tratamentos, que se tornavam constantes.  Diarréias constantes, desidratações, radiografias, eram motivos de suas constantes consultas. Um filho aqui, outro ali, os problemas familiares, os netos, eram a sua razão de viver.  Quando a coluna já se curvava pelo grande fardo, penso que fazia falta um companheiro para dialogar , orientar, dividir os problemas. Porém , ela jamais admitiu a necessidade de ter um companheiro  a seu lado, a não ser Deus, a sua família e a sua fé.



Naquele 15 de setembro eu telefonei para ela.. Disse-me que o seu médico achou melhor interná-la para fazer exames no hospital. Marcamos o horário, pegamos um taxi que nos levou até à Santa Casa.
Em casa tudo ficara em ordem, como se fosse uma despedida : organização e ordem eram a sua tônica.
Era cedo. Chegamos ao hospital, vencemos toda a burocracia de uma internação. Logo chegamos à enfermaria do 6• andar, leito 45.
Levava duas sacolas, porém , com o passar do tempo , a demora dos exames de tireóide , mais parecia que estava se mudando para o hospital.
Dizia "aqui em casa", brincava com todos, enfermeiras, doentes, com o médico, um bom amigo...
-Minha filha! Acontece cada coisa aqui... É melhor nem comentar...
Na verdade, a sua imagem ali era de uma estranha alegria, o que contrastava muito com sua vida sofrida.
Sabíamos que ela fingia um pouco de alegria, para não nos preocupar mais. Depois de dois meses de espera e resignação , resolveram operá-la , não a tireóide, mas o intestino. ( E depois falam que não existe destino , predestinação).
Estávamos preocupados, mas não ao ponto de aterrorizá-la.
Diariamente eu ia lá , mentindo para o porteiro, dizendo que ela estava na ala C (destinada a pacientes particulares) ; levava-lhe chá, conversava com ela , levava algum mimo, como no dia em que lhe dei de presente, aquele moranguinho de cerâmica que eu pintara, para que ela pudesse guardar o terço, a lixa de unha e a base de esmalte. Ah, ela tinha lá seus cuidados e um pouquinho de vaidade...
Brincamos muito naquele dia. Nossa família quando se reune, fica muito alegre....
-Mamãe, eu trouxe estes morangos para a senhora. ( mostrei-lhe o embrulho).
- Ôh fia ...eu não posso comer morango , porque é muito ácido.
Quando ela abriu o embrulho, era a cerâmica em forma de morango! A pintura era linda. Eu o pintei de vermelhinho, como uma rosa vermelha e a tampa, de uma cor verde como uma azeitona. Passei verniz...ficou um mimo!

                     
                                     Um mimo pra mamãe

Fiz-lhe um novo roupão, bem na moda : xadrezinho de cor de rosa, todo com acabamento interno de rendinha ( alta costura, afinal, era a minha aprendizagem do momento: corte e costura ! ) Estava tudo bem, aparentemente . Faltava somente a operação que já fora marcada.
- Minha filha, estou disposta a tudo para descobrir o que eu tenho, mesmo que eu morra!
-Que é isto, mamãe! A senhora vai ficar jóia! Vai dar tudo certo!
Ela disse:
-Quando eu sair daqui , quero aproveitar a vida. Eu antes achava a vida tão triste ! Agora, de uns tempos para cá, eu estou mais conformada, eu vi que a vida é tão boa!
Disse um dia para uma doente que chorava: "Nós precisamos ter fé em Deus ! "
A operação correu bem . Lola veio de fora para acompanhá-la, num quarto da ala C , na Santa Casa.
No segundo dia, uma terça feira, conseguiu se levantar da cama e até assentar-se. À noite, veio a febre alta , as tremedeiras , as dores, o desespero de Lola por não encontrar nem um médico no plantão.
O dia veio surgindo e mamãe já não era mais a mesma quando cheguei ao hospital.
O médico a examinava compenetrado , novas radiografias e a resolução de esperar mais 2 dias para abrir novamente a operação, se ela não melhorasse.
Mamãe transfigurou-se nestes 2 dias . De que adiantavam tantos aparelhos colocados `a sua volta , as sondas, se seu estado era regressivo?
Estes 2 dias significaram o agravamento irrecuperável de seu estado.
Na sexta -feira , o telefonema derradeiro :
-Mamãe está muito grave !
Chovia fininho. Aquele tempo tristonho...pesado! Tudo para mim parecia um sonho, ou melhor, um pesadelo...
Peguei a sacola apressadamente . Lembrei-me de colocar uma blusa de malha preta, não sei o porquê , tive um pressentimento...


                    
-Não sei quando volto. Deus me livre , mas se acontecer alguma coisa, Maria , cuide bem dos meninos . ( Maria trabalhava comigo).

Estava só com as crianças e Maria. Meu esposo fora para uma pescaria e só voltaria uma semana depois. Decidi que seria forte e controlada! Eu sempre sou muito forte nestes momentos... o problema é três dias depois, eu desmonto literalmente, não consigo nem andar...eu não entendo nada de psiquiatria, mas me parece que fico sem nenhuma adrenalina...completamente sem forças!
Quando entrei no hospital, mamãe já estava em seu leito de agonia. Seria reoperada dentro de alguns minutos.
Não conseguia mais falar por causa do aparelho em sua boca. Os olhos quase sem vida. Quando viu que se aproximava a hora, num esforço sobre- humano, colocou as mão em gesto de oração , acompanhada por nós que rezamos uma Ave-Maria, um Pai Nosso; quando terminou, ainda levantou a mão com aquelas borrachinhas encravadas nela e fez o Nome do Pai.
Lena chegou. Mamãe confundiu-a com o anestesista e pediu o roupão à Lola. Esta pegou o mais velho. Mamãe disse com dificuldade : o x-a-d-r-e-z ...
-O novo, Lola, falei engasgada, agradecida por ela ter demonstrado, quase inconsciente, aquele carinho pelo mimo que lhe dera dias antes.
A enfermeira chegou. Passaram mamãe para a maca. Sem muito cuidado, aquele corpinho quase caiu, desprotegido na maca.

-Cuidado com a mamãe, gente! - exclamou Vanda!

O corredor frio... a chuva lá fora ... o vento assobiando ... Meu Deus, ela vai pegar uma pneumonia e morrer - pensei. E esta idéia me aterrorizou naquele instante: minha mãe ... morrer?! Não ! Não podia !
- Está sentindo frio, fia ? - perguntei.
Ela acenou que sim com a cabeça.
Naquele momento ela já não era mais a mãe , mas uma filha para mim ; uma filha indefesa , desprotegida , não a mulher forte que sempre fora .
Um nó atrás do outro atravessava a minha garganta.

Não podia chorar : eu sou forte! Eu sou forte... repetia mentalmente!
A enfermeira cobriu-a com um velho cobertor na sala de cirurgia.
A maca sumiu ao final do gélido corredor.
Foram três horas e meia de cirurgia , enquanto, assentadas no hall do elevador , orando, ora cochilando, aguardávamos uma notícia.
Foi quando vimos sair a toda velocidade uma maca, e nela estava a mamãe com aquele aparelho respiratório artificial.
- Rápido! Gritava o médico:
- Senão pode dar uma parada!
Virou para nós e disse :
- Depois eu explico tudo. Saiu às pressas para não perder o elevador.
Levaram-na para o CTI. Todos os esforços foram em vão!
Ali estivemos todos ainda para vê-la, dois a dois, no sábado à tarde.
-Vai com Deus, mamãe! -Sim... foi isto que pensei e consegui falar naquele instante em que lhe beijei o rosto contorcido. Eu sentia algo estranho...
Senti a revolta em alguns, pensando que eu não estava com fé na cura de mamãe.

Era tarde demais! Naquele mesmo dia a peritonite, um choque séptico e uma parada cárdio-respiratória atestaram para a sempre a separação de mamãe de nossas vidas ...
O vazio, os pesadelos nas noites que se seguiram, os calmantes, a angústia, a saudade que cresce dia a dia não se apagarão jamais !
Os soluços sufocados debaixo das cobertas , o velório cheio no dia de finados, o trajeto do velório do Bonfim ao Cemitério da Colina ... incrível , não havia vaga na Colina, no necrotério... a sirene chamando a atenção do trânsito... as flores no gramado verde da colina, tudo isto representou uma triste e amarga despedida. Mesmo assim, acreditem...eu até achei o cemitério bonito, todo florido que estava na comemoração do dia de finados. Vá tentar me entender...nem eu me entendo...

Mamãe nos amou, e muito, como sei que existem milhares de mães como ela, que se entregam, se anulam e se esvaziam para que seus filhos cresçam e amadureçam!
Um amor tão grande , num ser frágil e pequeno , mas capaz de vencer barreiras quando isto significa AMAR !
Hoje eu sei: O amor é mais que palavras, são  gestos de ternura carinho e afeição incondicionais! 

O amor não mudou , mas existem várias formas de estarmos apaixonados . Hoje , a paixão tomou conta de mim ao relembrar de minha saudosa mãe, lembranças que cravam o meu peito de dor...
O amor de mamãe foi incondicional, doou sua vida solitária à família , privando-se de outros amores...

Uma essência em termos de amor!


Conclusão


Enquanto revivia estas lembranças, descia vagarosamente a rampa que fica atrás da "capela dos ossos", no Cemitério da Colina. Perdi a noção do tempo... Não sei onde terminou o passado e onde começou o presente...
Aqui...agora?!

Atrás, na lápide de granito , naquele feriado de finados, ficou gravado para sempre o nome de mamãe,  que  jamais será esquecida e lembrada com muito amor e afeto! O mesmo despertam em mim as  lembranças de meu pai!

O verde do Parque da Colina cede lugar agora à brisa da noite. A chuva fina continua...

Ouço meus passos no silêncio, amassando as folhas na relva.

Não existem mais palavras para exprimir o que sinto : somente lágrimas agora rolam livremente em meu rosto . Não me sinto mais tão forte ! Apenas me sinto indefesa, solta... perdida...sem chão!

Se Deus quiser, renascerei um dia para uma nova vida...
A meu lado , um ventinho frio passa e parece que sinto a mão macia de alguém afagando os meus cabelos.

Mais uma página de amor que se escreve !


ALBERTINA DOS SANTOS CASTRO

* 24/01/1916
+ 01/11/1980


                                          

Amor Incondicional

O amor é o sentimento mais puro, profundo  e sincero que o ser humano é capaz de sentir!
E o verdadeiro amor é incondicional, podemos estar separados  no tempo, mesmo assim o amor se mantém vivo, pulsando na alma, e com certeza resiste
 ao não tempo e vive na  eternidade!
À todos que passaram ou estão vivendo  uma grande perda,

- "Coragem!: " EU VENCI O MUNDO", disse Jesus.

             (João 16 - Biblia On Line)

       

                   "Amanhã será um novo dia"!                                       


MÁRCIA MSA
12/03/1981




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