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LITURGIA DIÁRIA COM O PADRE RÓGER ARAÚJO - 2017 - ANO A - REPÓRTER CATÓLICO - VALDIVINO FILHO

LITURGIA DIÁRIA COM O PADRE RÓGER ARAÚJO - 2017   - ANO A - REPÓRTER CATÓLICO - VALDIVINO FILHO
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segunda-feira

POEMAS - QUANDO O MANACÁ FLORIR - MÁRCIA MSA




"DEPOIS DO DESERTO TEM PROVIDÊNCIA DE DEUS PARA MIM"
NATHÁLIA LEANDRO - YOU TUBE



LIBERDADE

Naquele tempo...

sentia uma vontade louca
de me soltar
libertar a alegria
tão reprimida
no meu peito!

Rever os amigos

de todos os tempos
e juntos soltarmos o riso
com prazer!

Esquecer o motivo

de tantas lágrimas,
desconhecer o egoísmo,
apoderar-me de todas as armas
da paz... amar,
sem preconceitos, sem restrições
doar em cada esquina
a cada mendigo
um sorriso e minha mão:
- Quer um pedacinho de pão?

Ser solidária, fraterna, altruísta

descobrir o que faltava
a meu irmão e
dar-lhe a fórmula
para se livrar do alcoolismo
essa droga que lhe destruía 
a vida...

e mais...muito mais...

voar até as nuvens
não ver nunca mais
qualquer escravidão
e livrar-me para sempre
da descrença!

Fazer de contas

que tudo era um teatro
e representar com alegria e satisfação
pois a promessa de Deus se
cumpriria em minha vida
neste mundo de tantas emoções!

22/10/1993

Márcia MSA





SOLITUDE

(Abra uma janela no alto para ouvir e continuar lendo...volte para esta janela)




Quando os pássaros
Não mais gorgearem nas gaiolas
E o silêncio de seu canto
Não lhe fizer mais sofrer,
Espere!...
Quando a lua no céu
Desaparecer para as núpcias
Cobrindo de carinhos seu amor
Com o firmamente
E você nem sentir mais a sua ausência,
Acalme-se!...
Quando estiver só
E sentir pulsar a plenitude
Da vida e do amor,
Na compensação pela natureza,
E nesta paz se sentir muito mais que feliz,
sorria!...
Quando doar toda sua afetividade e vida
Na busca de um bem comum e da família
Mesmo que esteja só ,
no alto de uma montanha,
Ou junto às águas tranqüilas
de um regato,
Reflita!..
É a liberdade que desponta,
A felicidade que ressurge,
Então todas as portas se abrirão,
Novos horizontes, novos ritmos
Novos projetos... enfim,
Você foi capaz de superar
a dor da solidão!

Márcia MSA 
11/07/93- 09/10



ARARA VERMELHA
                                                    




 The poem above - LONELINESS  - is dedicated to the  visitors of all world. Thanks for visiting my blog!  Also visit,  please, my other blog:

RECEITAS E SEGREDOS DA COZINHA MINEIRA
http://receitasesegredosdacozinhamineira.blogspot.com.br  - 
                       

LONELINESS

When the birds

No more cages in the gorge
And the silence of his corner
Do not make you suffer more,
Wait! ...
when the moon in the sky
Disappear for the nuptials
Covering caresses her love
With the tightly
And you do not feel their absence,
Calm down! ...
When only
And feel the full throb
Of life and love,
In compensation for the nature,
And this peace will feel more than happy,
While! ...
When you donate your entire affection and life
In seeking a common good and the family
Even if you are alone,
on top of a mountain,
Or along the quiet waters
of a stream,
Think! ..
It is the freedom that emerges,
The happiness that comes back,
when all the doors will open
New horizons, new rythms
New projects ... finally
were you able to overcome
the pain of loneliness!

Márcia MSA



 ASSIM ERA MEU PÉ DE MANACÁ...


Quase mágico, sensível, translúcido, 
humano, invisível e divino
ao mesmo tempo.
Plantei-o aqui,
onde seria protegido
pelas muralhas
do meu inconsciente.
Não foi apenas uma vez:
várias... acreditei,
cuidei... perdi!

Um dia plantei novamente, não apenas um, 
mas dois pés de manacá 
lá na varanda de cima, 
bem crente que aqueles, 
não morreriam... 
Não morreram...mas 
eu mesma os abandonei, 
quando os sonhos da juventude 
se foram... 
 ficaram apenas 
os trabalhos, a luta 
e aquele acontecimento 
que agitou 
todas as nossas vidas! 

Pensei, 
agora chegam ao fim
nossas forças e
meus pés de manacá!
nada mais me fez sonhar...vibrar,
ao ver a tristeza
no olhar de cada um!

Um silêncio, ao meu redor,
um vazio... Um grande vazio!
Todos lutando, se debatendo
para sobreviver ao infortúnio...
Minha única esperança:
Deus existe , venceremos, eu creio!
basta que o busquemos
com humildade e fé!

Neste mundo físico,
tudo é efêmero, tudo passa,
só não passa o amor...
Meus pés de manacá tão frágeis eram,
resistiram... fortes como tufões
e transcenderam...
Mesmo que eu não os veja,
e que me esqueça deles,
estão em algum lugar protegidos,
ainda existem!
São hoje como substâncias, 
voláteis , etéreas,
têm ainda o seu brilho,
mas nada de excepcional
para a compreensão
e a lógica do mundo!

Ali ficaram muitos anos
naquela varanda até que
um dia os mudei
para um lugar próximo daqui, 
um pequeno paraíso, 
no Aconchego da Serra. 
Lá finalmente
 cresceram, 
floresceram,
mesmo só... 
 para sempre!

Hoje resistem ao sol da primavera
e do verão...e às formigas,
mas para minha dor
não me reconhecem mais,
nem eu...
Ah...já cuidei tão bem deles!

Solitários vivem
"como os lírios do campo",
do ar, da chuva, do sol,
do vento, da noite , do dia...assim...
não necessariamente nesta ordem,
mas na ordem
 das coisas sobrenaturais!

Parece que as horas passam depressa...
nunca mais ouvi os sinos
da Igreja do Carmo!
Antes repicavam tão lindos,
canções de Maria
ao meio dia!

Mudei-me novamente...
sempre mudando...como diz a Nahty
Há tanta coisa a fazer...
os treinos de sempre,
o trabalho, este blog
emails atrasados para ler
ou responder
pessoas que gostaria de ver
cumprimentar, encontrar...
Não estou dando conta
de tanta tecnologia! ... 
Ainda bem
 que tive um pé de manacá! 

Dois...
já estou na terceira idade, 
tudo bem!
Cada ano,
 conto mais uma abóbora...

Tenho ainda a religião e a fé,
Hoje há mais paz e confiança
no meu viver!

De meu pé de manacá
 tenho saudades!
Crescem as distâncias, 
mudam os objetivos,
Tenho ainda a religião e a fé!

Como diz o Zeca Pagodinho," a vida vai melhorar"!...
Só não dá para aceitar
desamor e indiferença!

E o mundo gira...
Até quando?!

Márcia MSA

Dedico este poema a todos que sofrendo buscam em Deus, o seu conforto, a sua paz!

Volte sempre! 


Em  2.048 - SE EU TIVER A GRAÇA
DE VIVER  MAIS 31 ANOS 
COM AMOR, FÉ E ESPERANÇA!



DESTINO

Há de ter fantasias                 
e sonhar
e nos sonhos se entregar
às mais puras emoções!
Sentir-se plena
e abraçar fortemente
cada momento desta vida
que se vai,
com suas alegrias ou mágoas
para sempre!

Há de beijar
suavemente, nem que seja
uma única vez,
o orvalho que acaricia
uma pétala de flor
ou o pelo macio de
uma criação...
Há de sentir essa ternura!
Há de sentir na alma
o pulsar da vida,
mesmo quando já se perde
a energia e a graça
da juventude!
Há de se recordar
da leveza de se dar!

Há de sentir
toda a sensibilidade e paz
e alcançar os píncaros
da divina criação!

Há de sobrepujar,
o gelo da indiferença
e seguir em frente,
acreditando na vida,
no amanhã,
com fé e esperança!
Este é o seu destino,
Este é o seu querer,
Este é verdadeiramente
o ser divino que habita
nas entranhas de seu ser!


Márcia MSA 
21/11/93)

O DESPERTAR DO NATAL


Resultado de imagem para PRESEPIOS

26 de dezembro/93

Sala vazia... sem os sons harmoniosos das músicas de Natal. Treinei bastante este ano para recordá-las!
Contemplo cabisbaixa as imagens do presépio: os três reis colocados cuidadosamente fora do cesto, enfeitado com fitas entrelaçadas vermelho/verde.
Na inércia das imagens busco a dor do Natal...bem no fundo...no fundo, Natal me dá certa frustação! 
Fantasiamos muito...sonhamos alto demais...É mais que este simbolismo de sons e festas...Não alcançamos o seu significado! Não entendemos a codificação...falta sempre alguma coisa na representação!
Qual faca pontiaguda a cortar as fantasias...
Nas janelas daqui de casa adornadas pelos vitrais dourados, vejo:
As botas do Papai Noel, e o contraste verde dos nomes das crianças, ali bordados...crianças de ontem...refletindo os jovens irrequietos de hoje...
O lindo arranjo na mesa, com brilhos e bolas, não faz sentido agora!
Num canto, a árvore de natal: as lâmpadas pisca pisca não mais acendi! (enfim, meu coqueiro vai respirar, pois é nele a minha árvore de natal.
A chuva fina cessou... o seu ritmo já não acalenta meus sonhos.
No alto dos castiçais, velas vermelhas entrelaçadas de fios dourados ainda ostentam laços de fitas e morangos de pois...
Sem mais fantasias confesso: O sonho terminou, mais uma vez!

02 de janeiro/94

Fui ä missa das 18 horas na Igreja do Carmo. Frei Cláudio falou sobre simbolismos, simbolismos...ainda soa em minha mente “ ...tudo é símbolo , mas há algo real por dentro dos vitrais iluminados...”!
Vou ao presépio...fixo meu olhar mais uma vez dentro do cesto...quase sinto o palpitar das vidas!
No ar, o espírito maduro, sofrido do natal! Natal que insiste : “é preciso deixar-se atrair pela luz:... a solidariedade! 
Há violência em todos os sentidos: há fome, há doenças, há discriminações, principalmente no seio das famílias!
Recordo a noite de reveillon, passada na fazenda, no silêncio da paz: somente nós três e a família do caseiro: compreendi que não estávamos a sós, a nosso lado, o Cristo fez-se sentir presente...aconchego... solidariedade, estávamos alegres e felizes!
Ali, cercados pela escuridão da noite, sem a beleza dos fogos de artifício nem a T.V.ligada, oramos juntos pela paz no mundo, pelas famílias, por todos nós. Mesmo que não soubessem rezar o terço, com o espírito contrito nos acompanhavam. Senti que o verdadeiro espírito do natal estava ali e à simples ceia. Longe de nossos filhos e familiares percebi que família não são apenas os laços de sangue. Aqueles que trabalharam todo o ano para que houvesse em nossas terras prosperidade,aqueles que compartilharam conosco as tribulações, que viveram conosco a sofrida seca para o gado, batendo pasto, moendo cana, suando ao sol...
Se resfriaram com as últimas chuvas: fazem também, parte também de nossa família : A FAMÍLIA DO POVO DE DEUS!
Um coro de anjos entoaria: ALELUIA!
Toco agora bem baixinho no órgão, minha última canção de natal deste advento: o GLÓRIA Nasce agora, solidário comigo, o MENINO JESUS!
Pulsa em meu coração a esperança: Puxo a fé:
- Que venha 1994! Ano da copa...PRA FRENTE BRASIL!

DEDICO AO FREI CLÁUDIO VAN BALEN- IGREJA DO CARMO- BH. CUJAS REFLEXÕES TANTO ME AJUDAM NA BUSCA DA LUZ.

Márcia MSA
 02/01/94




SUBLIMAÇÃO

Ouço o ruído
Da vida na rua,
Sinto o latejo 
da vida na agulha
Num flash de luz
 Eu me retrato...

Sinuosa no tecido ela desliza
Me desnuda o pranto
Em desvario me entrego!
Bordo a flor com o amor
Da dor e do sonho
Da fantasia desfeita!

(Márcia MSA. - 30/04/91)


  NO MEU JARDIM


 

Fui assim...

poeta, sonhadora, 
para outros,
desajeitada,  impulsiva!
Gostava de ouvir
o farfalhar do vento
nas folhas do quintal.
O piar dos pássaros
na amoreira ou
no pé de jacarandá...
ouvir as andorinhas, o sabiá,
tudo em perfeito cantarolar!

Estirada na grama,

até queimava meu corpo ao sol...

Perdida em devaneios,

em recordações  mescladas,
ao vento, perdidas nas brumas,
e na linha do tempo:

Sobre o pé de amora,

a juriti,
 no limoeiro um bem-ti-vi,
no meu jardim a bouganville lilás,
uma rede que balança,
na varanda...
sem fim!




Ali, tudo parecia lilás, arroxeado,

no plano horizontal do meu viver,
até a flor de maracujá se confundia ali,
com o azul meio lilás das hortências,
das orquídeas de bambu,
ou dos pés de manacá!

Ainda haverá flores

 multicores em meu jardim?

 Márcia MSA
18/04/93


“Eu pensei que bastava ser homem...”
       (Gilberto Gil- 07/07/02)

... mas é necessário transcender!

FANTASIA

                  Este foi meu primeiro poema, em 1986! 
               Dedico com carinho ao Araújo, meu esposo, à minha filha, Kelly e ao meu filho, Kilder Giovanni, à minha nora e genro, Izabela e Alexandre,  todos guerreiros,  destemidos  e fortes! 
                Dedico à Nathy, Letícia e Enzo, queridos netos!
               Amo vocês para sempre!
,,,

Despedi de todos
Amigos e apegos
Parti 
Para meu deserto interior.
Escalei montanhas
Avistei milhões de grãos de areia
Que se tornaram dunas,
Pirâmides no meu ser.

Descobri,
Tenho a força, estou livre
De toda crença, de todos mitos!
Caminhei
Senti ainda só
Tive miragens fantásticas
E vi que tudo é ilusão!
Senti sede do saber
Quando a noite chegou
E a escuridão penetrou em mim!
Abri a mochila
Fui tateando...
Senti uma lanterna
Busquei a luz
Em todo bem que aprendi,
Renasci! Era um novo dia!
Era Natal!
Um feliz Natal!


Márcia MSA     
25/12/86


TECLADO CASSIO P PX 150 - SEQ 31 A 45
                                              
PRAIA DO MORRO
                                              (Guarapari - Espírito Santo - Brasil)











Praia do Morro
Que te amo tanto
velem tuas encostas
os sonhos teus
na espuma que embalas
arpejos murmurantes,
proteje com carinho
os dias meus!

De longe,
surge tênua
a brisa refrescante,
de Nova Guarapari
suave mirante!

Lua, 
Eis que surges
detrás dos montes,
e no céu vagueias
Como a rainha
da nascente aurora!
Ilumina,
até ao "Porto do sol"
o caminheiro errante,
transforma em alegria
seu triste semblante!

Guarapari...
sua ponte singular,
Contemplo  do oceano!
Com tristeza
já despede o coração,
cheio de saudades!

Em tuas ondas
busco num mergulho
a eterna sinfonia:
PAZ...
 SAÚDE...
    HARMONIA!

Márcia MSA
1993



SONHO POR SONHO

À LUIZ FELIPE ESCOLARI
E GALVÃO BUENO P/EMOÇÕES INESQUECÍVEIS DO PENTA 


Na avenida sem asfalto

Nem sinalizações

Dirigia obstinado

Para lugar nenhum,

Ora,

Debatendo a poeira do passado

- Desacreditado –

ora,

na contramão

de procrastinadas emoções!



Num tempo

De balas perdidas e

Poderes paralelos

Meio a um temporal

Despontava um futuro promissor,

Nas cores brilhantes

De um arco-íris de cristal:

No trabalho – confiança!

Na família – superação!



Porém,

Escondido o “ comandante”

De consciência perspicaz e sentinela

Repassava sentimentos e mágoas,

Tal qual um mata-borrão

Deletando estados mentais

Contraditórios,

E garantindo assim a vitoriosa conquista

Do recôncavo de uma janela!



Já não palpitava mais

Hipertenso o coração,

Na pressão e descompressão

Das forças antagônicas

Da primeira copa do milênio!



Enquanto se erguiam

Pedras sobre pedras

Dos novos arranha-céus,

Se compactuavam sob ele

Num verdadeiro asfalto

Com luzes de néon iluminadas

As cinzas do passado!



Surge o estádio

Uma verdadeira arena

De frenéticos torcedores!

Me transformo e vibro

Frente à TV com milhões

De técnicos amadores e felizes!


Numa dimensão maior


Desligando a ignição

Busca o pódium,

C’ a bandeira

Verde e amarela

Desfraldada

Esvoaçando sobre os braços

Do “ fenômeno” ,

Vislumbra a taça erguida

Sobre o sorriso maravilhoso

E inesquecível de Cafu!



Junto àquela comoção

E à massa,

Num enorme círculo

Ajoelhado

Agradece à Deus

Nos verdes campos do oriente,

A vibração da torcida amarela e tupiniquim,

O sorriso e a fé de cada criança,

A determinação e a confiança,

Da disciplinada e humilde

Seleção brasileira!



Enquanto u’a chuva de prata

De papéis repicados

Brilha nos ares,

Palavras inflamadas de júbilo

Cortam os céus de norte a sul

Num grande show

De comunicação global!

E do oriente

Como num cometa conectadas

Ao cruzeiro do sul,

Cintilam as 12 estrelas vitoriosas

De almas lavadas!



Finalmente,

Com o eco do brado

De Cafu,

Coração bate,

Que bate...

Que bate...

E grito:

O BRASIL É PENTAAAAAAAAAAAAA!

EU SOU PENTAAAAAAAAAAAAAAA!


Márcia MSA
12/07/2002

RALPH ERA SEU NOME

Dedico este poema ao Dino e à Teka, aos quais amei à minha maneira e se foram, quase juntos, quando chegou o seu tempo, a sua hora, bem  velhinhos...tadinhos...
Que Deus os faça viver na estrelinha...para sempre, 
ou até quando Ele quiser!

                 RALF 

Um dia...

Descansando sonolenta,  refletia...
Subitamente  ele chegou
Dentro de uma caixa, assustado,
Retraído me olhou...
Era um filhotinho...
Orelhas bem grandes, fofinhas
Cachinhos de ouro
Um cocker puro sangue!

Não! Cachorro não!
Lembrei-me do Rex, do Tico
Da gata siamesa,
Seus gatinhos no terraço...
Mil pulgas!
Lembrei-me da terapeuta:
Porque não?!...
-Em apartamento...Não!
Lembrei-me do Brasinha
Sonho de adolescente...
Aceitei...relutante, distanciei...
Sentia-me meio carrasca
Na tentativa de infrigir a pena
Ao direito de criar, cuidar
De quem ousou o desafio!
E a alergia? Pelos soltos... o ranço;
E os vizinhos... o pai... e  Eu?
E as viagens...
Com quem deixá-lo?

Minha filha...
Eu a via se desdobrando a cada dia:
De adolescente despreocupada
Numa mãe carinhosa:
O veterinário, a ração, as vacinas,
Até um pulover azulão,
Para ele não sentir frio.
E para ele sentir seu cheirinho,
Sua camiseta já suada!

Germinou nela o amor,
Cresceu em mim a dor
Do desamor!

RALPH ERA SEU NOME!

Dormia lá fora...
Da porta para fora...
Um vento friio...
E ela não reclamou
Cobriu de jornais,
De trapos, molambos de voil,
De cetim, sei lá..
De amores!

Passou um dia
Três...
Uma semana,
Ele já a conhecia dentre todos,
corria feliz se a via... se o via...
Encolhia a seus pés, silencioso
-nunca latia!

No início só chorava
E seu choro
Se confundia com o cio
Das gatas da rua.
Não mais incomodou,
Latia...
Também já sofria!

Respiração difícil, peito inchado
Também,  não comia...
Refletia todo nosso desespero!
Morria!
Em suave e pausado gemido
Pulsava a dor: han...han...han...
Era o fim!

Qual  pecadora,
Madalena arrependida
Apanhei o manto e o envolvi,
Embalei
Amei-o....

Ralfinho...
Não era mais um cão,
Mas filho, neto, amigo meu!
Seus olhos brilhavam de dor,
Injeções, remédios de gente mesmo;
Anemia? Rarical
Edema pulmonar?
Pen-ve-oral,
Lasix...
Que mal maior sofre o ser?
Dor, agonia, paixão?
Desilusão?
Impossibilidade de ser,
Crescer,
Viver?

Foi difícil a última noite!
Ralf me olhou desesperado
Coloquei-o no colo, envolto
Em  jornais,
E ali,
Corações partidos, chocados,
Desesperados...

Acariciei-o com uma mão
E para tornar eterno
Aquele momento,
Toquei no órgão
“Berceuse’, Tristesse
“Eu voltarei”...
(um ensaio meu)...
ritmo marcado...
Ralf gemia...

Sua última noite...
Despedida!
No outro dia,
Bem cedinho o visitei,
Levantou com dificuldade,
Ficou de pé!
Com dignidade de cachorro,
Desfaleceu... morreu!
Quase morri de saudades!

Hoje ,
Meu coração ainda chora.
Ralph foi uma chama de amor,
Luz  que se apagou,
Esperança que nasceu,
Vida que partiu!

Ralph, se ontem foi adubo,
Flor será,
Se hoje é flor,
Um coração perfumará!
Vida....amor!
  
Ralph é amor
saudade eterna...
Sem fim!

Márcia MSA
13/05/91    
           
     


SEI ... 
                                                            
Sei que posso
Criar, mudar e construir
Tudo que desejo
E que a felicidade
E fruto de minhas ações!
Sei que cada um é mais feliz
Quando consegue expressar
Livremente seus próprios sentimentos
Removendo obstáculos e desafios
Fazendo as coisas por si mesmos!

Sei que não é preciso
Provar aos outros
Nem a mim
O quanto sou capaz:
Posso realizar
Todas as equilibrações da natureza!
Sei que posso
Explorar,
               Compreender situações problemas,
                                                                    Agir,
                                                                          Operacionalizar,
                                                              Sublimar,
                                             Transcender,
                                                                VIVER!                                                             
Márcia MSA


 22/10/88
              










                                    


 CAIXINHA DE EMOÇÕES


Não abra a caixa
onde guardo meus sentimentos
minhas saudades adormecidas.
Você poderia encontrar
a pureza de uma criança
todas suas fantasias
nos desenhos
do jardim da infância,
nos trabalhinhos amarelados,
ou a explosão das cores surgidas
de um balde de tintas!

Não abra ainda!
Não poderia resistir
a  explosão das emoções!
Amanhã, talvez,
voltarei ao passado
reviverei a ternura
de cada um
antes de passar
pelas mutações
e ressurgir da dor!

Serei muito forte
quando abrir minha caixinha
de emoções...
verei que não há mais motivos
para sofrer ou chorar
e inspirando hei de descobrir enfim:
a verdade dói...mas liberta!



Márcia MSA -
 21/03/92

                                                            **********
FONTE

POEMAS  - QUANDO O MANACÁ FLORIR - 1986 

MEMÓRIAS QUE NÃO SE APAGAM 
 MÁRCIA MSA

MARCADORES - INDICE DOS ARQUIVOS



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